Banco do Japão debateu risco de ficar "para trás" em relação à inflação, mostra resumo de janeiro

2 fev 2026 - 08h59

Autoridades do Banco do Japão debateram as crescentes pressões sobre os preços decorrentes da fraqueza do iene, com alguns alertando para o risco de ficarem "para trás" no combate à inflação alta demais, segundo um resumo das opiniões da reunião de janeiro ‌divulgado nesta segunda-feira.

A discussão destacou uma visão cada vez mais "hawkish" entre os nove membros da diretoria do banco, o que pode ‌manter vivas as expectativas do mercado de um aumento da taxa de juros no curto prazo.

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Na reunião do mês passado, alguns membros da diretoria acreditavam que os riscos para as perspectivas de preços estavam inclinados para cima devido aos ganhos salariais estáveis, às expectativas de recuperação do crescimento no exterior e ao aumento dos preços de importados devido à fraqueza do ‍iene, mostrou o resumo.

Uma opinião descreveu a inflação do Japão como "persistente", enquanto outra alertou que mais quedas do iene poderiam impedir a desaceleração da inflação, mostrou o resumo.

"Se o ambiente das taxas de juros no exterior mudar este ano, há o risco de o banco ficar involuntariamente para trás", disse um membro. Ele também afirmou ‌que o banco central precisa continuar tirando as taxas de juros reais do Japão do ‌território negativo.

Embora o risco de o Banco do Japão ficar para trás não tenha se tornado necessariamente evidente, está se tornando mais importante aumentar os juros de forma tempestiva, disse outra opinião.

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O resumo destacou a cautela crescente do banco central em relação às pressões do mercado, como o iene fraco, disse Ayako Fujita, economista-chefe do JPMorgan Securities no Japão.

"Acreditamos que a probabilidade de um aumento dos juros em abril, em linha com nossa previsão, aumentou em comparação com o consenso dos economistas do mercado de um aumento em junho/julho", disse ela. "Mas, dependendo das condições do mercado, um aumento em março não pode ser completamente descartado."

Na reunião de 22 e 23 de janeiro, o Banco do Japão manteve os juros em 0,75% depois de elevar os custos dos empréstimos para esse nível em dezembro. Mas o banco central manteve suas previsões inflacionárias "hawkish" e sinalizou disposição para continuar aumentando os custos dos empréstimos, que ainda estão baixos.

Embora o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, tenha afirmado que o país está fazendo progressos no cumprimento da meta de preços, ele rejeitou repetidamente a opinião de que o banco está atrasado na resposta ao risco de inflação excessiva.

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A maioria das opiniões no resumo de janeiro defendia aumentos contínuos e constantes dos juros, com uma delas afirmando que não havia ‌necessidade de se preocupar muito com o fato de que custos de empréstimos mais altos prejudicariam os lucros das empresas.

Outra opinião dizia que a única maneira de lidar com o iene fraco e o aumento dos rendimentos dos títulos era elevar a taxa de juros de forma tempestiva, pois tais medidas refletem o aumento das expectativas de inflação, mostrou o resumo.

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