A AtlasIntel rebateu nesta segunda-feira, 8, a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa eleitoral que apontava queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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A pesquisa havia sido divulgada em 19 de maio, poucos dias após a revelação de um áudio em que Flávio Bolsonaro pedia recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse". No levantamento, o senador aparecia com 41,8% das intenções de voto em um cenário de segundo turno contra Lula, que registrava 48,9%.
Ao conceder liminar suspendendo a divulgação do estudo, Nunes Marques entendeu que existem indícios de indução dos entrevistados.
Na nota divulgada nesta segunda-feira, a AtlasIntel rejeitou a acusação de que os participantes tenham sido influenciados pelo conteúdo relacionado ao caso Banco Master. Segundo o instituto, o questionário principal foi integralmente respondido antes que qualquer entrevistado tivesse contato com o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
A empresa explicou que, somente após a conclusão definitiva da pesquisa e sem possibilidade de alterar respostas já registradas, os participantes eram direcionados para uma plataforma separada chamada Atlas VRC (Video Reaction Curve), utilizada para medir reações a conteúdos audiovisuais.
“O questionário principal foi integralmente concluído e submetido antes de qualquer contato do participante com o conteúdo audiovisual. Não houve qualquer tipo de indução aos entrevistados”, afirmou a empresa.
De acordo com a AtlasIntel, a ferramenta tem finalidade distinta da pesquisa eleitoral e serve para medir, em tempo real, a reação de diferentes grupos demográficos a conteúdos audiovisuais.
A AtlasIntel também argumentou que pesquisas realizadas posteriormente por outros institutos identificaram efeitos semelhantes do episódio envolvendo o áudio de Flávio Bolsonaro.
Segundo a empresa, alguns levantamentos teriam apontado impactos eleitorais até maiores do que os observados pela AtlasIntel, o que indicaria que os resultados captados refletiam uma mudança real na opinião pública e não uma falha metodológica.
Na manifestação, o instituto afirmou que respeitará a decisão judicial e que está colaborando integralmente com a Justiça Eleitoral. A empresa também declarou estar confiante de que a análise técnica do caso demonstrará a robustez metodológica e a legalidade do levantamento.
CEO manifestou-se em rede social
Em publicação nas redes sociais, sem mencionar diretamente a decisão do TSE, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que a empresa já enfrentou críticas em outras ocasiões por divulgar resultados que contrariavam interesses políticos.
“A reputação se constrói lentamente, a partir de um trabalho árduo. A realidade que se impõe hoje é que não existe uma empresa de pesquisa a nível global com a trajetória que a AtlasIntel construiu”, escreveu o executivo.
Suspensão da pesquisa
Os advogados do PL argumentaram que o questionário apresentava perguntas com conteúdo negativo relacionado a Flávio Bolsonaro antes de medir intenção de voto, rejeição e imagem do parlamentar. Segundo a ação, termos como "esquema de fraudes financeiras", "escândalo" e "evidências de envolvimento direto" teriam influenciado as respostas dos participantes.
Na decisão, Nunes Marques citou uma entrevista concedida por Andrei Roman à CNN, na qual o executivo afirmou que o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro seria "muito problemático para a imagem" do senador e poderia comprometer sua viabilidade eleitoral.
Validade da pesquisa será analisada pelo TSE
A discussão sobre a validade da pesquisa será analisada pelo plenário do TSE nesta terça-feira, 9, quando os ministros deverão decidir se mantêm ou revogam a suspensão determinada por Nunes Marques.
Na manifestação, o instituto afirmou que respeitará a decisão judicial e que está colaborando integralmente com a Justiça Eleitoral. A empresa também declarou estar confiante de que a análise técnica do caso demonstrará a robustez metodológica e a legalidade do levantamento.
“Estamos tranquilos e confiantes de que a situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada”, afirmou a AtlasIntel.
Para o ministro, as declarações reforçariam suspeitas sobre a neutralidade do estudo. O magistrado afirmou que, embora institutos de pesquisa possuam autonomia técnica para definir suas metodologias, isso não impede a atuação da Justiça Eleitoral quando houver indícios de desvirtuamento dos levantamentos.