Quatro meses após o teto desabar por negligência em uma obra, a biblioteca da Faculdade de Educação da USP voltou a alagar, gerando novo risco ao acervo e tornando incerta sua reabertura. Funcionários se mobilizaram para conter a água e proteger as obras no local, que opera sob cobertura provisória. Enquanto a instituição classifica o quadro como insustentável e teme perdas irreparáveis, a reitoria afirma que o patrimônio segue seguro e promete instalar uma proteção mais resistente.
Quatro meses após parte do teto da biblioteca da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) desabar, o prédio voltou a ser atingido por alagamentos. O problema foi informado pela própria biblioteca em uma publicação nas redes sociais nesta segunda-feira, 14, na qual classificou a situação como "insustentável".
Em nota, a reitoria da USP disse que todo o acervo da biblioteca encontra-se preservado e em segurança. O local passa por uma substituição integral do telhado após uma empresa contratada através de edital público agir com "negligência" ao retirar a estrutura anterior sem instalar uma proteção provisória adequada. Após a queda do telhado em maio deste ano, a USP rescindiu o contrato com a prestadora e deu início aos trâmites legais da licitação para convocar a próxima empresa apta a assumir a obra.
Desde então, "o prédio foi abrigado por uma cobertura de emergência e passou a ser monitorado continuamente por equipes de engenharia da Superintendência do Espaço Físico (SEF), que prestam apoio técnico diário à direção da FE".
Após a situação desta semana, a universidade aprovou os documentos necessários para instalar uma nova cobertura provisória, "significativamente mais resistente", até a conclusão da licitação e a retomada definitiva da reforma. Em seguida, disse que a SEF segue trabalhando permanentemente no edifício, apoiando e orientando a direção da faculdade sobre alternativas de preservação da integridade do patrimônio bibliográfico até a conclusão total das obras.
Conforme a publicação desta segunda-feira, os novos alagamentos colocaram em risco direto as coleções que haviam sido "cuidadosamente" transferidas para o 1º andar. A unidade afirmou que os últimos dias foram de exaustão, com funcionários dedicados a enxugar o chão, cobrir os acervos transferidos e tentar proteger o espaço diante das chuvas.
"A reabertura da biblioteca, tão aguardada e prevista para o final de outubro, torna-se agora completamente incerta. Estamos diante de uma corrida contra a deterioração do nosso patrimônio e da segurança de quem frequenta e trabalha no local", afirmou a FEUSP. Segundo a publicação, "o que está em jogo vai muito além de um espaço físico".
A direção da unidade afirmou ter procurado as autoridades competentes da USP em busca de soluções definitivas e pediu a mobilização da comunidade acadêmica. Sem uma intervenção imediata, afirmou, a instituição corre o risco "irreparável" de perder parte do acervo. "Estamos num momento de luto e luta dentro da biblioteca", escreveu.
Essa não é a primeira vez que a biblioteca é atingida por alagamentos. Em maio, quando parte do teto desabou, o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) afirmou que o vazamento comprometeu parte do acervo. A água atingiu diferentes andares da biblioteca e danificou livros e outros materiais considerados importantes para a pesquisa da universidade.
Ainda segundo o Sintusp, na época, servidores e trabalhadores da Faculdade de Educação se mobilizaram para tentar preservar o material atingido. Entre as medidas adotadas, eles colocaram papel-toalha entre as páginas dos livros para retirar a umidade e evitar a proliferação de fungos.