A Base Nacional Comum Curricular destaca que o desenvolvimento infantil vai além da assimilação de conteúdos e envolve curiosidade, experimentação, pensamento crítico e participação em práticas culturais. Nesse contexto, períodos fora da rotina escolar também podem contribuir para a formação integral, desde que respeitem o ritmo e as necessidades da infância.
O recesso escolar representa um período de descanso fundamental para os estudantes desacelerarem e vivenciarem experiências que estimulem a autonomia e a criatividade, segundo Vanessa Chagas, assessora pedagógica da Plataforma Amplia. Quando bem conduzida, essa pausa favorece o equilíbrio emocional e incentiva um aprendizado conectado à vida cotidiana.
Descanso como aliado da saúde emocional
Conforme a educadora, o momento de pausa escolar e descanso contribui para a redução do estresse e auxilia na regulação das emoções das crianças. Entretanto, quando essa trégua não acontece de maneira adequada, podem surgir alguns sinais como dores de cabeça, cansaço persistente, dificuldade de concentração, alterações no sono e apetite, além da rejeição a qualquer atividade que remeta à escola.
"Esses indícios podem apontar que as crianças estão sendo sobrecarregadas com propostas educativas durante um período que deveria ser leve", afirma.
Aprendizado além da sala de aula
A assessora pedagógica reforça a importância de a criança se manter em contato com experiências que estimulem habilidades para manter o cérebro ativo, mas que sejam prazerosas e espontâneas, mantendo o equilíbrio e favorecendo o descanso ativo.
"Atividades nas férias são bem-vindas, desde que não sejam uma extensão da sala de aula. O objetivo não é trabalhar conteúdos, e sim manter o cérebro aberto ao aprendizado. Afinal, aprender é um processo contínuo, profundamente conectado à vida, e não restrito aos muros da escola", avalia Vanessa Chagas.
A especialista da Amplia indica que tarefas que despertam a curiosidade científica — como pequenos experimentos com água, plantas ou outras misturas —, são recomendadas para o período e podem ampliar o interesse pela disciplina, contribuindo com a redução do tempo de exposição às telas.
Entretenimento e aprendizado
Segundo Vanessa Chagas, quando o estímulo ao desenvolvimento de habilidades e ao conhecimento cultural é equilibrado e adequado à faixa etária, os benefícios cognitivos, emocionais e sociais são relevantes. Por isso, ela elenca cinco dicas de atividades que podem ser aplicadas pelos pais e responsáveis durante as férias:
- Promova momentos de leitura: escolha livros adequados à idade e aos interesses das crianças — como histórias em quadrinhos, contos ou livros de aventura — e estimule o prazer por livros, de maneira espontânea;
- Use jogos de tabuleiros e de cartas: jogos de cartas ou quebra-cabeças são excelentes aliados do raciocínio lógico e fortalecem os vínculos familiares;
- Incentive brincadeiras ao ar livre: promova atividades que ajudam a gastar energia e a cuidar da saúde física e emocional, como andar de bicicleta, jogar bola na pracinha, pular corda etc.;
- Explore o universo da arte: contato com materiais como tinta, pincéis, lápis de cor, massinha, colagens ou artesanato com materiais recicláveis despertam a imaginação e desenvolvem a coordenação motora;
- Crie receitas em família: além de envolver noções de matemática e de língua portuguesa, preparar receitas culinárias estimula a responsabilidade, a autonomia e proporciona momentos de lazer em conjunto.
Por Ana Paula Brunatti