Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP) aprovou nesta quinta-feira, 12, a demissão do professor José Maurício Rosolen. O docente estava afastado desde o ano passado, após 16 estudantes o denunciarem por assédio sexual e moral. A reportagem busca contato com o docente. O espaço segue aberto.
A diretoria da Universidade informou, por meio de nota, que um grupo formado por conselheiros da Congregação da Unidade decidiu pelo desligamento do docente da entidade de ensino. A decisão, agora, deve ser executada e oficializada pela reitoria.
O afastamento de Rosolen, que leciona no curso de Química e está na USP desde 1997, aconteceu em março do ano passado, após a abertura de um processo administrativo disciplinar em desfavor do professor. Na época, o afastamento teria a duração de 180 dias (seis meses).
Contudo, ele retornou à Universidade em março deste ano e sua presença gerou protesto por parte de alguns estudantes. "Diante do retorno do docente José Maurício Rosolen, denunciado por assédio contra mulheres, é fundamental que a comunidade estudantil se organize e discuta coletivamente quais serão os próximos passos frente a essa situação", afirmou em nota o Centro Estudantil da Química USP-RP no dia 6 de março.
A aprovação da demissão do professor, portanto, ocorre após um ano de investigação do caso. A apuração se desenrolou enquanto ele estava afastado.
Relembre o caso
No ano passado, Rosolen teve a sua participação na USP suspensa após ser denunciado por 16 estudantes pelos crimes de assédio moral e sexual. Antes mesmo de ser afastado, ele já era alvo de averiguação preliminar desde setembro de 2024.
Segundo as denúncias, havia "um acordo tácito" entre os alunos para que nenhuma mulher fosse deixada sozinha com o professor, tanto na sala de aula, quanto no laboratório.
As vítimas afirmam que o docente se aproximava das alunas tentando estabelecer alguma conexão. Chegava a propor convites e até a oferecer viagens e passeios. Relatos apontam que a relação escalava para tentativas de beijos forçados e toque nas partes íntimas. E, quando as aproximações não encontravam reciprocidade, ele supostamente retaliava estudantes com ameaças de cortes de bolsas de estudo.
Demissão de professor de Direito
Em dezembro ano passado, a USP decidiu pela demissão do professor da Faculdade de Direito Alysson Leandro Barbate Mascaro, também investigado por assédio. Pelo menos 10 denúncias pesavam contra o docente, que sempre negou as acusações. Ele foi afastado no final de 2024 e sua saída dos quadros da Universidade foi definido cerca de um ano depois.
Na época da demissão, a defesa de Mascaro relatou ao Estadão que o processo disciplinar aberto contra o professor configurou "uma expressão de lawfare e um procedimento de cartas marcadas", além de ter apresentado irregularidades, como alteração na versão de denúncias e intimações irregulares.