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Congresso aprova novo modelo para escolha de reitores de universidades federais; veja o que muda

Presidente passa a ser obrigado a nomear o candidato mais votado na consulta realizada entre professores, estudantes e servidores; texto segue para sanção

11 mar 2026 - 17h22

O Senado aprovou na terça-feira, 10, projeto de lei que altera o processo de escolha de reitores das universidades federais. O Presidente da República passa a ser obrigado a nomear o candidato mais votado na consulta realizada pela comunidade acadêmica.

Pelas regras atuais, após consulta à comunidade universitária (que envolve professores, estudantes e servidores técnico-administrativos), as instituições encaminham ao governo federal uma lista tríplice com três candidatos a reitores, e o presidente pode escolher qualquer um dos nomes indicados. O texto aprovado no Congresso Nacional muda esse procedimento ao acabar com a lista tríplice. Agora o texto segue para sanção presidencial.

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Vista aérea do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Governador.
Vista aérea do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Governador.
Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO / Estadão

O fim da lista tríplice era um pedido da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que representa os reitores do País. Em 2023, a entidade chegou a encaminhar ao Ministério da Educação (MEC) uma proposta para alterar a forma como ocorre a escolha dos dirigentes das instituições de ensino.

"A estrutura do processo eleitoral continua a mesma. O que muda é a extinção da lista tríplice, o que faz com que as decisões das comunidades acadêmicas passem a ser respeitadas", afirmou José Geraldo Ticianeli, presidente da Andifes.

No modelo atual, o governo não é obrigado a escolher o candidato mais votado, mas, desde 1998, a tradição é indicar o mais votado. O governo Jair Bolsonaro, no entanto, rompeu com a prática. De 69 dirigentes nomeados pelo ex-presidente, 21 eram o 2º ou o 3º da lista tríplice. Na visão dos dirigentes, a decisão de não seguir a vontade da comunidade acadêmica desrespeita a autonomia universitária.

Tensão política nas universidades federais

Em 2019, o governo editou uma medida provisória (MP) para mudar o formato de escolha dos reitores: fixava, por exemplo, os pesos dos votos de professores, servidores e alunos nas eleições internas.

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A MP motivou críticas de parlamentares e das comunidades acadêmicas e foi ignorada pelo Congresso, que permitiu a perda de validade da norma seis meses depois. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou que o presidente deveria seguir a lista, mas não tinha obrigação de escolher o 1º colocado.

Como funciona nas universidades estaduais de SP?

Nas universidades estaduais de São Paulo (USP, Unicamp e Unesp), o processo é bem parecido, só que a lista tríplice é enviada ao governador. O último chefe do Executivo paulista a contrariar a vontade da comunidade acadêmica foi José Serra (PSDB), em 2009, que escolheu João Grandino Rodas, o 2º mais votado na USP. Ele havia perdido para Glaucius Oliva.

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