O Japão enfrenta um desafio sem precedentes. Por um lado, a escassez de mão de obra obrigou as empresas a repensarem suas políticas de emprego para aproveitarem o crescimento econômico previsto. Por outro lado, a baixa taxa de natalidade entra em conflito direto com a falta de mão de obra, já que as empresas teriam que abrir mão (pelo menos temporariamente) de metade de sua força de trabalho feminina. Um verdadeiro dilema.
A complexa situação demográfica obrigou as empresas japonesas a considerarem uma medida inédita nas últimas duas décadas: igualdade salarial entre homens e mulheres.
Matando dois coelhos com uma cajadada
Enquanto os EUA reverteram ou limitaram as políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), o Japão optou pela abordagem oposta, igualando os salários de homens e mulheres para atrair talentos femininos e incentivar suas carreiras profissionais.
Além do aspecto prático de atrair uma força de trabalho qualificada escassa, essa mudança também responde a outras razões econômicas. O Japão está capturando uma parcela significativa dos investimentos ambientais, sociais e de governança (ESG) que deixaram os EUA após a chegada de Trump à Casa Branca.
Por esses dois motivos, empresas financeiras japonesas como a Nippon Life Insurance e o MUFG Bank eliminaram categorias de cargos administrativos predominantemente ocupados por mulheres, onde elas ganhavam entre 39% e 50% do salário de um homem.
Duas décadas de discriminação salarial
Nos últimos vinte anos, as mulheres ...
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