Aos 21 anos, Fabricio Lima já é conhecido pelo nome artístico Fafá Cria nas redes sociais. O jovem se profissionalizou como produtor audiovisual, fotógrafo e filmmaker após um curso proporcionado pela Central Única das Favelas (CUFA), promovido para jovens das periferias do Brasil.
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Antes de entrar para o curso Cri.Ativos da Favela, Fafá trabalhava como produtor audiovisual em troca de serviços, como corte de cabelo e compra de roupas, por exemplo. Depois de algum tempo, ele passou a ganhar dinheiro por meio do coletivo Ground Culture. Mas foi o curso da Cri.Ativos que realmente mudou sua jornada.
"Me ensinaram, além de precificar, que as pessoas queriam pagar bem pela minha arte. Além disso, eles também me trouxeram a oportunidade de um estágio. Sendo um jovem artista da periferia, sei o quanto é desvalorizado tudo o que vem daqui. O corre é sempre dobrado pra gente", conta em entrevista ao Terra.
O Cri.Ativos da Favela foi pensado para jovens do audiovisual que vêm da periferia. O projeto já capacitou mais de 300 jovens em quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pará. Há também mais de 250 coletivos mapeados e mais de 700 inscritos nas 4 edições desde sua criação, em 2023.
Nascido no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo, Fafá diz que o teatro foi a porta de entrada para a jornada dele na arte. Junto com as artes dramáticas vieram as danças, como o breaking e o popping, que o conectaram ainda mais com a cultura hip-pop. Ele também chegou a editar vídeos na escola e a fotografar na igreja.
"De pouco em pouco, o hip-hop foi me puxando para o audiovisual, através da cobertura de batalhas de rima, shows, produção de videoclipes e capas de música. Minhas maiores referências são de quebrada. São da rua", afirma.
O projeto oferece uma trilha de aprendizagem prática e presencial, com o objetivo de conectar as juventudes das favelas ao mercado de audiovisual, somado às novas possibilidades da inteligência artificial. Os participantes têm acesso a mentorias, estrutura, equipamentos e oportunidades.
"Além de trazerem para cá, para o nosso território, a acessibilidade, a oportunidade de aprender e de conhecer, esses projetos me fizeram entender que posso sim ser mais. Que posso viver daquilo que gosto de fazer - e não apenas aqueles que nasceram em um ambiente com melhores condições -, com acesso a equipamentos de qualidade, ou até que não preciso de equipamentos tão caros. Porque o mais valioso é a visão que entregamos, e esses projetos nos lembram disso", acrescenta o jovem.
Em 2025, Fafá retornou ao Cri.Ativos da Favela, mas, dessa vez, como monitor geral e assistente de produção na quarta edição do programa, que foi realizada em Belém (PA), durante a COP30. Atualmente, o jovem mantém um perfil no Instagram onde compartilha seu trabalho.
No seu portfólio, ele já acumula feitos como assistente de produção na série MotoboySP, da Rede Globo; produção de curtas para o Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias; e assistente de produção, fotografia e making of da Expo Favela Innovation.
Questionado sobre que conselho daria a jovens periféricos que têm o sonho de trilhar uma carreira no audiovisual, Fafá destaca que é importante manter a esperança e a fé de que você pode ser e chegar aonde quiser.
"Porém, como todo caminho, não é fácil, tem que persistir e ser estratégico. Hoje em dia, o audiovisual está cada vez mais acessível, podendo começar diretamente com o seu celular, que está na maior parte do tempo na sua mão ou no seu bolso. Com poucos detalhes, você já consegue encontrar ou construir a sua estética, sua bolha de conexões e seu jeito de trabalhar. É importante sempre sair do conforto, ter menos medo das coisas, correr, ir para a luta e atravessar a ponte", diz.
Realizado pelo Instituto Heineken, em parceria com a CUFA e a Favela Filmes, o Cri.Ativos da Favela tem como objetivo principal gerar oportunidades para jovens de comunidades periféricas, promovendo inclusão social, valorização da cultura local e fortalecimento das economias criativas.
"No nosso trabalho, procuramos ter uma escuta ativa com os nossos públicos. No caso dos jovens, identificamos um potencial criativo enorme, mas que muitas vezes não era desenvolvido pela falta de acesso a ferramentas e oportunidades. Muitos tinham talento e criatividade, mas não tinham acesso a equipamentos de qualidade, como câmeras, computadores e cursos técnicos que permitissem transformar esse potencial em profissão", explica Mariana Romano, Coordenadora do Instituto Heineken.
Ela acrescenta que o audiovisual é um universo muito elitizado, mas que o projeto chegou para quebrar essa barreira e mostrar que jovens da periferia também podem ocupar esses espaços. De acordo com a coordenadora, além do fortalecimento da identidade cultural local, é preciso olhar para a formação e a ampliação de oportunidades para os participantes.
"Eles vivenciam experiências reais de mercado e circulação em grandes eventos, como The Town, Rock in Rio e COP30, ampliando repertório, networking e oportunidades de inserção profissional. Com a expertise da Favela Filmes no audiovisual e o conhecimento da CUFA dentro dos territórios, conseguimos desenvolver um projeto mais conectado às reais necessidades desses jovens", destaca.