Diagnóstico de neurodivergência em mulheres adultas ganha visibilidade com relatos de artistas

Exposição de casos de TDAH e Autismo por figuras públicas como Letícia Sabatella, Sabrina Sato e Tatá Werneck impulsiona a busca por avaliações clínicas e reduz estigmas sociais

27 fev 2026 - 05h54

A divulgação de diagnósticos de neurodivergência como Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) por mulheres com presença na mídia tem gerado repercussão na identificação de condições neurobiológicas em adultas. Ao compartilharem suas trajetórias, artistas contribuem para que outras mulheres reconheçam padrões de comportamento e busquem suporte especializado.

Sabrina Sato, Tatá Werneck e Letícia Sabatella
Sabrina Sato, Tatá Werneck e Letícia Sabatella
Foto: Reprodução/ Instagram / Perfil Brasil

A atriz Letícia Sabatella tornou público seu diagnóstico de Autismo, relacionando sua sensibilidade e atuação profissional a traços do espectro. De forma semelhante, a apresentadora Sabrina Sato abordou o TDAH, conectando o transtorno a características como o pensamento dinâmico e a versatilidade em sua carreira.

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A comediante Tatá Werneck é outra figura que discute o tema, descrevendo o processamento mental neurodivergente como uma forma distinta de organização de ideias, frequentemente associada à criatividade e à percepção de múltiplas perspectivas simultâneas.

De acordo com a Dra. Thaíssa Pandolfi, médica psiquiatra especialista em neurodivergência feminina, superdotação e altas habilidades, a exposição desses casos aumenta a procura por diagnósticos no consultório. Segundo a especialista, muitas mulheres crescem sem compreender a base neurobiológica de comportamentos interpretados socialmente apenas como distração, desorganização ou sensibilidade elevada.

A médica explica que o diagnóstico tardio é comum em mulheres devido ao fenômeno da camuflagem social. Meninas frequentemente aprendem a mascarar sintomas para se adaptarem a padrões sociais, o que pode resultar em:

  • Exaustão mental;

  • Quadros de ansiedade;

  • Sensação de inadequação persistente.

Na prática clínica, observa-se com frequência a coexistência entre TDAH, Autismo, altas habilidades e alta sensibilidade. Mulheres com essas condições costumam apresentar pensamento acelerado e capacidade de hiperfoco criativo. Para a Dra. Pandolfi, a compreensão dessas características permite que elas sejam utilizadas como diferenciais individuais, em vez de serem vistas apenas como dificuldades de adaptação.

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