Segundo o ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, os bombardeios tiveram como alvo posições consideradas estratégicas da defesa talibã em Cabul, Kandahar e na província de Paktia.
As hostilidades se intensificaram na quinta-feira (28), quando forças afegãs atacaram tropas paquistanesas na fronteira. O governo talibã afirma que essa ação foi uma resposta a bombardeios anteriores do Paquistão, que teriam provocado mortes. Islamabad reagiu de forma imediata, dizendo tratar-se de "represália" a ataques letais.
De acordo com o porta-voz talibã Zabihullah Mujahid, dezenas de soldados paquistaneses morreram, vários ficaram feridos e outros foram capturados. O Paquistão nega essas informações e diz que nenhum de seus postos militares foi tomado ou danificado.
Relações complexas
As relações entre os dois países, historicamente complexas, pioraram desde que o Talibã voltou ao poder no Afeganistão em 2021. Islamabad acusa o governo talibã de permitir que militantes armados utilizem o território afegão para atacar o Paquistão. Já Cabul rejeita essas acusações e nega apoiar grupos de milícias armadas.
O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, declarou na rede X que "a paciência chegou ao limite" e que, a partir de agora, o conflito é "aberto". Ao mesmo tempo, jornalistas da AFP relataram explosões e movimentação de aviões em Cabul e Kandahar.
O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, afirmou que os ataques representam uma "resposta adequada" às ações afegãs. Por sua vez, o porta-voz talibã anunciou a retomada de operações aéreas "em grande escala" contra postos paquistaneses.
Também nesta sexta-feira, o Exército talibã informou que havia tomado mais de 15 postos avançados paquistaneses em apenas duas horas - uma versão contestada por Islamabad, que afirma ter infligido "grandes perdas" às forças afegãs.
A recente operação talibã ocorreu após bombardeios do Paquistão no último fim de semana nas províncias afegãs de Nangarhar e Paktika, motivados por "atentados suicidas recentes" em território paquistanês. A missão da ONU no Afeganistão afirma que esses ataques deixaram pelo menos 13 civis mortos, enquanto o governo talibã fala em ao menos 18 vítimas.
Também houve troca de tiros na fronteira na terça-feira, sem registro de feridos. As passagens terrestres entre os dois países permanecem fechadas, em sua maioria, desde combates ocorridos em outubro, que resultaram em mais de 70 mortes no total.
Apesar de um cessar-fogo inicial negociado por Catar e Turquia, as rodadas de negociação subsequentes não foram suficientes para garantir um acordo duradouro. A Arábia Saudita chegou a intervir recentemente para facilitar a libertação de três soldados paquistaneses capturados pelos talibãs em outubro.
China pede cessar-fogo
A China, que mantém relações estratégicas com ambos os países, declarou estar "profundamente preocupada" com a escalada do conflito e pediu um cessar-fogo imediato. Pequim afirmou que continuará atuando como mediadora para reduzir as tensões.
Irã oferece ajuda diplomática
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também se ofereceu para ajudar a mediar um diálogo entre Afeganistão e Paquistão, afirmando que o país está pronto para colaborar na busca por entendimento e cooperação.
Com AFP