O deputado estadual Gustavo Victorino (Republicanos) foi alvo de críticas após declarar, em entrevista à TV Assembleia, que Maria da Penha Maia Fernandes "nunca tomou um tapa" do marido e que sua paraplegia teria sido causada por um assalto. A fala repercutiu rapidamente nas redes sociais e gerou reações negativas de usuários, movimentos de defesa dos direitos das mulheres e de outros atores do meio político.
Diante da repercussão, Victorino publicou um vídeo nesta sexta-feira (20) reconhecendo que reproduziu uma informação falsa. O parlamentar afirmou ter caído em uma fake news e corrigiu a declaração, lembrando que Marco Antonio Heredia Viveros, então marido de Maria da Penha, foi condenado. Segundo o deputado, a versão do assalto teria sido sustentada pelo agressor, mas nunca comprovada pelas investigações.
Maria da Penha tornou-se um símbolo da luta contra a violência doméstica no Brasil após quase duas décadas de busca por justiça. O histórico do caso aponta que, em 1983, ela foi vítima de dupla tentativa de feminicídio, incluindo um disparo de arma de fogo enquanto dormia, que a deixou paraplégica, além de outra tentativa de homicídio meses depois.
A morosidade do Judiciário levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, que responsabilizou o Estado brasileiro por omissão e tolerância à violência contra mulheres. O episódio impulsionou a criação da legislação que leva seu nome, sancionada em 2006, considerada um marco no combate à violência doméstica e familiar.
Na mesma manifestação em que admitiu o erro, Victorino afirmou ter protocolado um projeto de lei voltado ao combate à violência vicária — quando o agressor atinge filhos ou familiares da mulher como forma de vingança. Ainda assim, a controvérsia reacendeu o debate sobre a responsabilidade de autoridades públicas na disseminação de informações corretas, especialmente ao tratar de temas sensíveis como a violência contra a mulher.