O ministro Cristiano Zanin, do STF, ordenou que a PF entregue até as 23h a cópia integral do celular de Daniel Vorcaro, antes do julgamento que analisará relatórios sobre o ex-banqueiro e Alexandre de Moraes. A decisão rebate o relator André Mendonça, que temia riscos à apuração, e expõe um racha na Corte. Zanin sustentou não haver hierarquia no plenário e defendeu a igualdade de acesso às provas para garantir a imparcialidade dos magistrados, ressaltando que a defesa já obteve o material.
O clima de tensão na alta cúpula do Poder Judiciário ganhou um novo capítulo na tarde deste domingo. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, expediu uma ordem para que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregue até as 23h, uma cópia integral do conteúdo extraído do telefone celular de Daniel Vorcaro. A medida ocorre a apenas dois dias da sessão plenária marcada para terça-feira, na qual os magistrados devem analisar relatórios envolvendo o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.
Argumentação sobre igualdade e acesso às provas
No despacho encaminhado à corporação e comunicado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, o magistrado rebateu manifestações anteriores do ministro André Mendonça. Mais cedo, o relator havia sustentado em ofício que o compartilhamento amplo de todo o dispositivo eletrônico traria risco às apurações e tumultuaria o julgamento iminente.
Ao rebatê-lo, a decisão pontua que não existe hierarquia entre os integrantes do tribunal e que os elementos probatórios recolhidos pertencem ao conjunto do plenário. O documento ressalta que todos os julgadores estão submetidos ao dever constitucional de sigilo e precisam do material completo para formar convicção com independência e imparcialidade.
Contexto da disputa e desdobramentos operacionais
A divergência expõe o racha interno sobre a condução das provas ligadas à Operação Compliance Zero. Enquanto interlocutores alinhados a Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e ao próprio Cristiano Zanin cobravam o espelhamento completo para contextualizar as mensagens, a relatoria buscava limitar o acesso aos trechos já periciados.
A Polícia Federal informou possuir capacidade técnica para efetuar a entrega das mídias aos gabinetes sem violar a cadeia de custódia das evidências. A determinação reforça que os advogados de defesa do ex-banqueiro já haviam tido acesso ao conteúdo integral, não havendo razões para impor restrições aos magistrados encarregados de proferir os votos.