Nas redes, direita enxerga blindagem de Fachin a Moraes, e esquerda proteção de Mendonça a Flávio

Instituto Democracia em Xeque analisou publicações de mais de 19 mil perfis no Instagram, X, Facebook, TikTok e Youtube sobre crise no STF

13 set 2026 - 20h01
Resumo
A crise no STF e o comando da PF dominaram as redes com forte polarização, aponta o Instituto Democracia em Xeque. A extrema direita acusou o ministro Edson Fachin de blindar Alexandre de Moraes e a PF após suspender o afastamento do diretor Andrei Rodrigues. Já a esquerda apontou que André Mendonça tentou proteger Flávio Bolsonaro ao travar apurações sobre o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. O tema gerou 30,6 mil posts, com predomínio de publicações da direita (54% contra 29%).

A crise do Supremo Tribunal Federal (STF) e o impasse sobre a direção da Polícia Federal (PF) foram os temas que mais repercutiram na última semana nas redes sociais. Segundo análise do Instituto Democracia em Xeque, houve uma divisão ideológica clara: a extrema direita elegeu o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, como principal alvo e viu na atuação dele uma tentativa de blindar o ministro Alexandre de Moraes e a PF. Do outro lado, a esquerda caracterizou a condução do ministro André Mendonça como uma tentativa de proteger o candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL).

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A avaliação sobre Fachin decorreu, principalmente, da decisão de suspender o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, medida que havia sido determinada por Mendonça.

Perfis de extrema direita, classificação realizada pelo próprio instituto, argumentaram que o presidente do STF cedeu a pressão de um grupo de ministros aliados de Moraes. Até mesmo o fato de Fachin ter assumido a relatoria do inquérito das fake news, que antes estava com Moraes, foi tratada com desconfiança.

Já a esquerda criticou Mendonça por ter afastado Andrei sob o argumento de que a medida teria como objetivo impedir a investigação sobre os repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro é investigado no caso por ter sido quem pediu o dinheiro para Vorcaro.

O instituto analisou publicações de mais de 19 mil perfis envolvidos no debate político, entre eles influenciadores, políticos, mídia partidária e mídia tradicional entre os dias 8 e 12 de setembro no X, Facebook, Instagram, YouTube e TikTok.

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Foram analisadas 30,6 mil publicações e 204 milhões de interações. A extrema direita foi responsável por 54% das publicações, enquanto a esquerda produziu 29% e a imprensa, 17%.

A decisão do ministro Flávio Dino que reverteu o afastamento de Andrei foi o assunto mais comentado, com 27% do total. Também foi o de maior intensidade, chegando a 53 mil publicações por hora em 9 de setembro, pico registrado no período analisado.

Os outros assuntos mais comentados foram as decisões de Fachin (25%), o imbróglio envolvendo o comando da PF (19%), a operação sobre o filme Dark Horse (14%), a corrida eleitoral (11%) e o eixo "lei acima de todos", para defender a transparência das investigações, tema abordado em uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O único eixo em que a esquerda predominou, em termos de volume, foi na operação autorizada por Dino para investigar se emendas parlamentares foram destinadas para financiar o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Segundo o relatório, as publicações sobre o filme responderam por 20% da produção dos perfis progressistas, superando a extrema-direita em volume (43% a 38%). Os perfis de direita fizeram mais publicações sobre as decisões de Fachin (56% a 21%), o comando da Polícia Federal (52% a 23%) e a corrida eleitoral (52% a 25%).

O STF passa por uma crise institucional desde que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF sobre mensagens enviadas por Vorcaro a um número de celular atribuído pelos investigadores a Moraes.

O relatório da PF elenca 52 mensagens, citando o uso de aeronaves e contratos envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. O material foi revelado em primeira mão pelo Estadão.

Fachin marcou para a próxima terça-feira, 15, sessão do Plenário que analisará o documento. Como mostrou o Estadão, ele tem sido pressionado por diferentes alas do STF para adiar a sessão.

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