Coreia do Norte sugere sopa de carne de cachorro para combater calor recorde

Temperaturas recordes que atingem região já deixaram 23 mortos na vizinha Coreia do Sul

7 ago 2026 - 08h31
(atualizado às 08h40)
Termômetros marcaram 36,7 ºC nessa quinta-feira (06/08) na Coreia do Norte, recorde de calor desde o início dos registros meteorológicos no país
Termômetros marcaram 36,7 ºC nessa quinta-feira (06/08) na Coreia do Norte, recorde de calor desde o início dos registros meteorológicos no país
Foto: DW / Deutsche Welle

Em meio a uma das mais severas ondas de calor dos últimos tempos, a mídia estatal da Coreia do Norte tem recomendado tudo à população, desde sopa de carne de cachorro até caldo de galinha para lidar com a situação - ao mesmo tempo em que retrata Kim Jong-Un como um líder que enfrenta as condições adversas ao lado do povo.

Segundo a emissora de televisão estatal, a temperatura atingiu 36,7 ºC nessa quinta-feira (06/08), a mais alta desde o início dos registros meteorológicos no país. Nos veículos de comunicação controlados pelo governo norte-coreano, até as habituais ameaças de ação militar vêm sendo substituídas por dicas de culinária para combater o calor.

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Na quarta-feira, a Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA) indicou uma receita de Samgye-tang: caldo com frango recheado com arroz glutinoso, tâmaras e ginseng, para dar energia durante os dias de calor. Já um médico citado pelo jornal estatal Rodong Sinmun sugeriu, no domingo, sopa de carne de cachorro como "suplemento nutricional".

O jornal dedicou uma matéria especial à sopa de carne de cachorro, chamando-a de prato tradicional de verão e destacando que o concurso nacional de culinária com carne de cachorro havia sido realizado no início deste ano.

A Península Coreana está sofrendo com um verão de calor recorde, com 23 mortes já atribuídas ao calor na Coreia do Sul, onde novas marcas históricas foram registradas durante três dias na semana passada, com os termômetros atingindo 42,5 °C no domingo.

Na Coreia do Sul, onde mais de 20 pessoas morreram nos últimos dias devido ao calor, a carne de cachorro também é uma iguaria, mas deve ser proibida até fevereiro de 2027.

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Kim sua a camisa junto ao povo

Além das orientações de saúde e culinária, a mídia estatal tem noticiado um tema de propaganda já conhecido - a disposição do líder do país, Kim Jong-un, de suportar o mesmo clima opressivo enfrentado pelos norte-coreanos comuns.

O Rodong Sinmun revisitou esta semana uma inspeção em um canteiro de obras realizada pelo líder norte-coreano no verão de 2013, durante o qual se noticiou que as roupas de Kim haviam ficado encharcadas de suor.

Segundo a imprensa, quando um funcionário recomendou que ele evitasse viagens durante essa época do ano, Kim respondeu que "mesmo que o clima esteja insuportavelmente quente, o trabalho que deve ser feito pelo povo deve ser feito", segundo a reportagem.

Outro artigo relembrou uma visita de Kim a uma fábrica de frutos do mar em conserva na época em que as temperaturas teriam chegado a 39°C, durante a qual o líder inspecionou salas de fermentação "sufocantes" enquanto enfatizava a qualidade e a higiene dos alimentos.

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Não há detalhes, no entanto, sobre o que Kim está fazendo durante a atual onda de calor. A televisão estatal também mostrou multidões lotando praias e piscinas na Zona Turística Costeira de Wonsan Kalma, o projeto turístico de Kim na costa leste do país. A imprensa também informou que os parques aquáticos de Pyongyang estão lotados.

Calor extremo também aflige Coreia do Sul e Japão

Nos países vizinhos a situação também é extrema, com temperaturas recorde no Nordeste Asiático causando a morte de pessoas na Coreia do Sul e no Japão - Pyongyang não divulgou possíveis números de vítimas deste verão.

Na maior parte da Coreia do Sul, um alerta de onda de calor grave entrou em vigor na quarta-feira, com as temperaturas na região metropolitana de Seul atingindo os 39 ºC. No Japão, a agência local de prevenção de desastres informou que mais de 18 mil pessoas com sintomas de insolação foram levadas a hospitais durante a semana de 20 a 26 de julho.

Desde meados de maio, na Coreia do Sul, cerca de 2,2 mil pessoas foram diagnosticadas com doenças relacionadas ao calor, de acordo com um relatório do Ministério do Interior e da Segurança. Cerca de 17,1 mil animais, como galinhas, patos e porcos, e cerca de 160 mil peixes de criação também sucumbiram às altas temperaturas.

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No domingo, a cidade de Yangsan, no sudeste do país, registrou temperaturas de 42,5 ºC, o valor mais alto registrado desde o início das observações meteorológicas na Coreia, em 1904.

Na noite de terça-feira, um espectador na casa dos 20 anos desmaiou enquanto assistia a uma partida de beisebol em um estádio em Incheon, a oeste de Seul. Ele foi socorrido e levado par o hospital, mas o atendimento interrompeu a partida por 10 minutos. Outro torcedor, de idade similar, desmaiou e recebeu atendimento médico no estádio após a partida, segundo a Organização Coreana de Beisebol, que anunciou o adiamento de dez jogos que estavam programados para esta semana.

No Japão, a onda de calor matou três leões em um zoológico de Tóquio. Mugi, uma leoa de 3 anos, Ichigo, de 11 anos, e Luena, de 15, morreram no mês passado. As autópsias revelaram desidratação e falência múltipla de órgãos nos três animais, e as autoridades afirmam acreditar que o calor foi a causa dos problemas de saúde.

fcl/cn (Reuters, AFP, AP)

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