Congresso do Peru atinge assinaturas para processo de remoção do presidente José Jerí

Pedido de censura ocorre após investigações sobre reuniões fora da agenda oficial; Parlamento tem 15 dias para convocar sessão extraordinária

12 fev 2026 - 22h29

O Congresso do Peru oficializou, nesta quinta-feira (12), a obtenção do número de assinaturas necessário para iniciar a tramitação do pedido de remoção e censura do presidente José Jerí, segundo o g1. O documento foi protocolado junto à presidência do Parlamento, que possui o prazo de até 15 dias para a realização de uma sessão extraordinária destinada ao debate do tema.

José Jerí
José Jerí
Foto: Mariana Bazo/Getty Images / Perfil Brasil

O cenário institucional no Peru registra sete ocupantes do cargo de presidente nos últimos oito anos. Desse total, cinco nomes deixaram o posto por meio de renúncia ou destituição. José Jerí assumiu o Poder Executivo em outubro de 2025, após o afastamento de Dina Boluarte pelo Legislativo.

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Caso o processo resulte no afastamento do atual mandatário, o sucessor designado exercerá as funções presidenciais até o dia 28 de julho. O calendário eleitoral do país prevê a realização de um novo pleito em 12 de abril. Segundo o periódico "La República", integrantes do Congresso já realizam consultas internas sobre a linha de sucessão.

A abertura do processo fundamenta-se em investigações sobre encontros entre Jerí e o empresário chinês Zhihua Yang, detentor de concessões no setor de energia e proprietário de estabelecimentos comerciais. Os registros da imprensa local apontam que as reuniões ocorreram nos dias 26 de dezembro e 6 de janeiro, sem registro na agenda oficial da Presidência da República.

A legislação peruana estabelece que compromissos do chefe de Estado devem constar em registros oficiais para fins de transparência. A ausência dessas informações motivou questionamentos parlamentares e suspeitas de irregularidades administrativas.

Pronunciamento do Executivo

Em janeiro, o presidente José Jerí utilizou uma mensagem gravada para se manifestar sobre o caso. Na ocasião, o mandatário:

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  • Confirmou a realização de um jantar em um restaurante em Lima;

  • Justificou o encontro como parte da coordenação para as celebrações da cooperação entre Peru e China;

  • Negou o recebimento de solicitações irregulares durante o contato;

  • Solicitou desculpas pela omissão do registro inicial.

Após o pronunciamento, foi divulgada a existência de um segundo encontro entre as partes, o que levou a oposição a formalizar a moção de impeachment ou censura contra o presidente de 39 anos.

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