Com alta nos preços, UE pede medidas para conter consumo de energia

26 set 2026 - 16h01
Resumo
Diante da disparada nos preços globais de energia causada pela guerra no Irã, a União Europeia pediu aos países-membros que reduzam o consumo de gás e reforcem estoques antes do inverno. Com as reservas no nível mais baixo desde 2011, estima-se que 50 milhões de europeus possam ter de escolher entre aquecimento e alimentação. Para conter a crise e a inflação, governos adotam subsídios, enquanto o bloco teme uma possível restrição às exportações de diesel dos EUA, seu principal fornecedor.

Comissário europeu de energia apela a países-membros do bloco para que reduzam demanda por gás natural. "Milhões terão de escolher entre congelar ou passar fome", declarou a jornal britânico.Alarmado com a alta nos preços de energia em meio à guerra no Irã e à chegada do inverno no Hemisfério Norte, o chefe de energia na União Europeia (UE) apelou aos países-membros do bloco para que reduzam a demanda por gás natural.

Estoques de gás da UE estão no ponto mais baixo desde o início dos registros, em 2011; alta da commodity turbinaria a inflação
Estoques de gás da UE estão no ponto mais baixo desde o início dos registros, em 2011; alta da commodity turbinaria a inflação
Foto: DW / Deutsche Welle

"Estamos enfrentando uma crise de preços relacionada a uma crise de abastecimento", escreveu o comissário europeu de Energia, Dan Jorgensen, em uma carta aos ministros da Energia dos países da UE citada pela agência de notícias Reuters nesta sexta-feira (25/06).

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A Europa é altamente dependente de petróleo e gás vindos do exterior. Cerca de 57% das necessidades energéticas do bloco são cobertas por importações, enquanto a maioria da energia que produz vem de fontes renováveis ou nuclear.

No caso do gás, cerca de 80% do consumo vem de fornecedores estrangeiros, o que deixa a UE vulnerável à disparada dos preços globais da energia provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz em decorrência da guerra no Irã. A passagem é normalmente utilizada para o transporte de cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.

Estoques de gás em risco às vésperas do inverno

A Europa ainda não enfrenta escassez de abastecimento, mas tem sofrido com a alta nos preços de energia, que tornou mais difícil para alguns países preencher suas reservas de gás antes do inverno.

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O cenário preocupa porque é nesse período que a demanda por aquecimento residencial atinge seu pico. E uma alta no preço do gás encareceria outras fontes de energia por tabela, com impacto inflacionário sobre toda a economia.

Os estoques de gás da UE estão atualmente a 68%, 12 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados da Gas Infrastructure Europe — o ponto mais baixo desde o início dos registros, em 2011, segundo o jornal The New York Times.

Jorgensen afirmou que a UE está hoje mais preparada desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que reduziu o fluxo de gás russo que abastecia o bloco. Segundo ele, o bloco conseguiu aumentar a capacidade de importação de GNL, expandir as energias renováveis e reduzir a demanda por gás.

Ainda assim, o comissário pediu aos governos que reforcem os preparativos para o inverno: "Convido-os a considerar a adoção, ou a continuidade, de medidas que possam sustentar a injeção de gás nos estoques ou reduzir a demanda por gás e eletricidade pelo tempo que for necessário."

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Segundo ele, essas medidas podem incluir a limitação da temperatura em edifícios públicos, a proibição de aquecimento em áreas externas e o desligamento de iluminação pública considerada desnecessária.

50 milhões forçados a escolher entre congelar ou passar fome

Ao jornal britânico Financial Times, Jorgensen afirmou que a crise dos preços de energia deve forçar um número estimado de 50 milhões de pessoas na UE a escolher neste inverno entre aquecer suas casas ou comprar comida.

O comissário europeu atribuiu a ascensão de partidos populistas e de ultradireita no bloco ao fracasso dos governos em lidar com o aumento do custo de vida.

"Milhões de cidadãos terão de escolher no fim do mês entre congelar ou passar fome porque eles não conseguem pagar suas contas", disse ao FT. "Para que nossas democracias funcionem no futuro [...] é importante que lidemos com os desafios reais que as pessoas enfrentam."

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UE teme ficar sem diesel dos EUA

A UE responde por sete dos dez países que mais adotaram medidas para conter o impacto econômico da crise nos preços de energia desde o início da guerra no Irã, segundo um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicado nesta quarta-feira.

Países do bloco têm reagido com subsídios e impostos, dentre outras medidas, para tentar se proteger de preços recordes de gasolina e diesel.

Na Lituânia, os preços de trem foram reduzidos em 50%. A Grécia aumentou a taxação sobre apostas. A Itália adiou o fechamento de usinas de carvão e desburocratizou o licenciamento para projetos de petróleo e gás natural.

A Alemanha e a Espanha abriram mão de uma parcela dos impostos cobrados sobre a gasolina, enquanto a França anunciou subsídios para trabalhadores que se deslocam por grandes distâncias em seus carros.

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Ao tentar se desvincular da energia russa, a UE tornou-se mais dependente dos Estados Unidos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fechou pessoalmente um acordo com o presidente Donald Trump no ano passado que incluiu um compromisso para comprar 750 bilhões de dólares em energia americana em três anos.

A guerra no Irã tornou essa relação ao mesmo tempo mais importante e mais complexa para a UE, que tem recorrido cada vez mais aos Estados Unidos para obter diesel.

O apoio manifestado por Trump nesta semana à proibição das exportações do combustível, com o objetivo de reduzir os preços nos EUA, preocupa o bloco europeu, que teria de buscar fontes alternativas e por isso trabalha para dissuadir Washington.

"Acreditamos que essa é uma má ideia", disse na quinta-feira Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia. "A cooperação entre UE e EUA no setor de energia é forte, estável e mutuamente benéfica. Qualquer interrupção corre o risco de impactar negativamente ambos os lados."

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ra (Reuters, AP, ots)

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