Cinco hábitos ao volante que reduzem (muito) o risco de acidentes

Especialistas, manuais e estudos mostram como velocidade, antecipação, uso das telas, frenagem e assistentes eletrônicos ampliam a margem de segurança de quem dirige

28 set 2026 - 17h13
Resumo
Diante do recorde de mortes no trânsito brasileiro, especialistas indicam cinco hábitos cruciais para evitar acidentes: manter distância segura e controlar a velocidade com antecedência; antecipar perigos ocultos nas vias; ajustar celulares e telas antes da partida para evitar distrações; usar o freio ABS com pressão firme e contínua em emergências; e conhecer as reais limitações dos assistentes de condução, sem abrir mão da vigilância constante e da responsabilidade ativa ao volante.

Você dirige há anos, nunca bateu e conhece o caminho de olhos fechados. Isso não quer dizer que esteja tudo certo. O trânsito cobra por situações que ainda não aconteceram: uma freada inesperada, alguém que atravessa fora da faixa, um motorista que invade a sua pista.

O Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, o maior número em oito anos, segundo o Ministério da Saúde. Para entender o que cada condutor pode fazer diante desse cenário, o Jornal do Carro consultou especialistas, manuais e estudos sobre cinco hábitos que ajudam a evitar acidentes e lesões graves.

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São Paulo viveu um exemplo disso: em 2015, ano em que os limites das marginais Tietê e Pinheiros foram reduzidos, as mortes nas duas vias caíram de 73 (no anterior) para 49, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego. A comparação não isola o efeito da medida, mas ajuda a dimensionar o que a calma pode fazer.

Na prática, reduza a velocidade antes da curva ou da travessia de pedestres, não durante. E mantenha distância do carro da frente.

A Polícia Rodoviária Federal ainda ensina um truque: escolha um ponto fixo, como um poste, e conte dois segundos depois que o veículo à frente passar por ele. Se você alcançar o ponto antes de terminar a contagem, está perto demais. Com chuva, amplie o intervalo.

2. Antecipe o que está escondido

O segundo hábito é procurar o perigo que ainda não apareceu. Um ônibus parado no ponto é um veículo grande — mas também pode estar escondendo alguém prestes a atravessar na frente dele. Se o motorista só reagir quando a pessoa surgir, já terá perdido parte importante do tempo de que dispunha.

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O mesmo vale para uma fileira de carros estacionados, de onde uma criança pode sair de repente. O espaço parece vazio porque a visão está bloqueada, e não porque não haja ninguém ali. O Highway Code, código de trânsito britânico, recomenda reduzir a velocidade e redobrar o cuidado perto de pontos de ônibus e de veículos estacionados, justamente por essa falta de visibilidade.

Antes de passar por um desses trechos, tire o pé do acelerador e prepare-se para parar. Observe as laterais da via, e não só o carro da frente, pois conhecer o caminho não torna essas áreas visíveis.

Nas conversões, procure motos e bicicletas e confira espelhos e pontos cegos antes de mudar de direção: uma olhada feita segundos antes pode já não valer.

A pergunta a fazer, portanto, não é apenas se o caminho está livre, mas o que pode aparecer dali.

3. Prepare as telas antes de sair

O terceiro hábito é ajeitar o celular e a central multimídia antes da partida: programar o destino no GPS, escolher a playlist musical, silenciar as notificações e deixar o aparelho fora do alcance da mão. Se houver passageiro, ele pode cuidar de uma mudança de rota.

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Parece exagero para uma 'olhadinha', mas a conta é simples. A 60 km/h, o carro percorre 50 metros em três segundos. São 50 metros sem acompanhar o que acontece à frente.

Carros que trocaram botões físicos por menus na tela podem aumentar esse tempo. Um botão bem posicionado é reconhecido pelo tato; numa superfície lisa, o motorista precisa localizar o ícone, abrir uma página e conferir se tocou no lugar certo. Não por acaso, o Euro NCAP, programa europeu de avaliação de segurança, passou a considerar em 2026 a facilidade de uso dos comandos, incluindo botões físicos para funções frequentes.

Em uma freada de emergência, o pedal começa a pulsar e o carro pode emitir ruídos. Pode soar defeituoso, mas é o ABS trabalhando: ele regula a pressão dos freios para evitar que as rodas travem e, com isso, ajuda a preservar o controle da direção durante a frenagem.

A orientação, presente no Highway Code e em manuais de fabricantes como a Ford, é pressionar o pedal com firmeza e manter a pressão enquanto for preciso reduzir. Bombear o freio, técnica ensinada para carros sem ABS, atrapalha o sistema. E aliviar o pé só porque o pedal vibrou pode interromper justamente a frenagem necessária.

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NISSAN/DIVULGAÇÃO
NISSAN/DIVULGAÇÃO
Foto: NISSAN/DIVULGAÇÃO / Estadão

Vale uma ressalva: o ABS ajuda a manter o controle, mas não garante que o carro pare numa distância menor em qualquer piso. Para conhecer essa reação na prática, procure um treinamento supervisionado em pista fechada. A rua não é lugar para testar uma freada de emergência.

5. Confira o que os assistentes de condução realmente fazem

O quinto hábito é saber o que cada sistema de assistência faz antes de confiar nele. Um ícone no painel pode sugerir uma promessa maior do que a tecnologia entrega.

Alerta de colisão e frenagem automática, por exemplo, não são a mesma coisa. O primeiro avisa; o segundo pode acionar os freios. Ter um não significa ter o outro. O controle de cruzeiro adaptativo ajusta a velocidade para manter a distância escolhida do veículo à frente, e a centralização em faixa ajuda a manter o carro entre as marcações.

Sistemas modernos conseguem identificar faixas, veículos ao redor e limites de velocidade, mas alertas frequentes ou imprecisos podem reduzir a confiança do motorista na tecnologia
Foto: BMW Divulgacao / Estadão

Quando essas funções trabalham juntas, formam o que a NHTSA, agência americana de segurança viária, classifica como assistência de nível 2. Nesse caso, o motorista continua responsável por supervisionar o trajeto e intervir. O carro ajuda a virar e a frear, mas isso não autoriza pegar o celular.

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E nem todos os sistemas cobram essa vigilância como deveriam: em 2024, o instituto americano IIHS avaliou as salvaguardas contra desatenção e mau uso de 14 sistemas de automação parcial. Só um foi considerado aceitável.

Antes de usar, confira no manual quais funções existem, seus limites e como saber se estão ativas — e não deduza isso pelo nome comercial. Tecnologia ajuda, mas a vigilância de quem dirige continua necessária.

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