Vídeo em que Lula diz que morte do cão Orelha 'não vai ficar impune' foi criado com IA

CONTEÚDO USOU TÉCNICA DE 'DEEPFAKE' PARA SIMULAR PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE SOBRE CASO

4 fev 2026 - 13h25

O que estão compartilhando: que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria se pronunciado sobre a morte do cão comunitário Orelha. "Não vai ficar impune. Eles são menores [adolescentes suspeitos], mas isso não vai ficar assim. Eu me comprometo, como presidente da República, a dar uma punição severa, independente de ser filho de rico", ele teria dito.

Vídeo em que Lula diz que morte do cão Orelha ‘não vai ficar impune’ foi criado com IA
Vídeo em que Lula diz que morte do cão Orelha ‘não vai ficar impune’ foi criado com IA
Foto: Reprodução/Redes Sociais / Estadão

O Estadão Verifica checou e concluiu que: é falso. O vídeo foi criado com inteligência artificial. Há inconsistências no movimento da boca e nas mãos do presidente, que indicam o uso da técnica de deepfake para simular a declaração. Não há registro público, até o momento, de um pronunciamento de Lula sobre o caso do cãozinho Orelha, morto no início de janeiro após agressões em Florianópolis.

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Saiba mais: Publicações nas redes sociais compartilham como se fosse verdadeiro um vídeo gerado por inteligência artificial de Lula comentando sobre a morte do cão comunitário Orelha. O Verifica analisou o vídeo e identificou inconsistências que indicam a geração digital do conteúdo.

Foi possível observar detalhes no vídeo que indicam falhas comuns em peças feitas por IA. Aos 12 segundos, a mão de Lula parece se fundir com o rosto no momento em que o presidente gesticula. A boca aparece distorcida em alguns trechos, como aos 15 segundos. O rosto de uma pessoa ao fundo aparece distorcido quando a câmera se afasta.

Além disso, o vídeo ainda traz frases como "comenta muito e segue" ou "clica no sinal de mais para o vídeo chegar nas famílias", que não são comuns em discursos presidenciais.

A partir da marca d'água inserida no vídeo pela própria plataforma TikTok, foi possível identificar que a conta responsável pela criação do conteúdo compartilha outros conteúdos do presidente criados com IA.

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Até o momento, não há registro público de que Lula tenha se manifestado sobre a morte do cachorro Orelha. A primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, se pronunciou nas redes sociais e disse que o caso lhe causou muita "tristeza e indignação".

Vídeo usou discurso de Lula na Casa da Moeda

Ao fundo do vídeo analisado, aparece a logomarca da cerimônia de 90 anos da criação do salário mínimo no Brasil, onde Lula discursou em 16 de janeiro. Por meio da busca reversa (saiba como fazer), a reportagem encontrou a transmissão do evento usada para a criação do conteúdo falso.

A peça utilizou a técnica de deepfake, que utiliza arquivos reais de uma pessoa para criar conteúdos sintéticos com auxílio de inteligência artificial.

A partir dos movimentos da câmera e do presidente, foi possível identificar que o trecho da transmissão usado na montagem ocorre por volta dos 51 minutos e 40 segundos. Lula comentava sobre os riscos da inteligência artificial nessa parte da cerimônia. O presidente não citou o caso Orelha durante o discurso.

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Caso do Cão Orelha

Nesta terça-feira, 3, a Polícia Civil de Santa Catarina concluiu que um único adolescente causou a morte do cão comunitário Orelha, agredido na Praia Brava, em Florianópolis. Inicialmente, a investigação apontava que as agressões haviam sido cometidas por um grupo de jovens.

A Polícia Civil solicitou a internação do agressor e indiciou outros três adultos pelo crime de coação a testemunhas. Os envolvidos não foram identificados.

Como mostrou o Estadão, por se tratar de adolescente, menor de idade, ele não está sujeito a penas criminais, como prisão.

As investigações da polícia apontam que Orelha foi atacado com uma pancada contundente na cabeça na madrugada de 4 de janeiro. No dia seguinte, 5 de janeiro, o cãozinho foi resgatado por uma moradora, mas morreu em uma clínica veterinária em razão da gravidade dos ferimentos.

Cão Orelha: Polícia de SC conclui inquérito e pede internação de adolescente

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