PT tira de contexto fala de Flávio Bolsonaro para parecer que ele agradeceu a Trump por taxar Brasil

NO VÍDEO ORIGINAL, SENADOR SE REFERIA À CLASSIFICAÇÃO DE FACÇÕES CRIMINOSAS COMO ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS

3 jun 2026 - 15h06

O que estão compartilhando: vídeo mostra a notícia de que o governo dos Estados Unidos propôs nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em seguida, exibe o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dizendo: "agradeço ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio, por atenderem rapidamente ao meu pedido".

Senador não agradeceu aos Estados Unidos por taxar o Brasil.
Senador não agradeceu aos Estados Unidos por taxar o Brasil.
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O vídeo de Flávio foi tirado de contexto. Na gravação original, publicada por ele no Instagram, o pré-candidato à Presidência afirma ter pedido aos Estados Unidos que classificassem as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Ele não fala sobre taxas ao Brasil.

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O material aqui checado foi publicado nas redes sociais do PT. A assessoria de comunicação do partido foi procurada, mas não respondeu. O Verifica entrou em contato com o gabinete do senador do PL, mas não teve retorno.

Saiba mais: o vídeo de Flávio foi publicado na conta dele em 28 de maio. O Escritório Comercial dos Estados Unidos propôs tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros quatro dias depois, em 1º de junho.

Na gravação, o senador afirma que, em viagem aos Estados Unidos, fez "mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e Lula em seus 17 anos de mandato". Flávio agradece a Trump e a Marco Rubio "por atenderem rapidamente ao meu pedido em nome do povo brasileiro", referindo-se à questão relacionada ao Comando Vermelho e ao PCC.

Lula esteve na Casa Branca, onde se reuniu com Trump, em 7 de maio. Na ocasião, o chanceler Mauro Vieira informou que, entre os temas abordados pelos líderes, estava o do combate ao crime organizado.

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Em 26 de maio, foi a vez de Flávio se encontrar com o presidente norte-americano. No dia seguinte, 27 de maio, foi recebido no Departamento de Estado, onde discutiu a classificação de facções brasileiras como grupos terroristas. O governo brasileiro sempre se opôs à medida, por acreditar que ela ameaçaria a soberania do Brasil.

Um dia depois, em 28 de maio, a Secretaria de Estado do governo emitiu comunicado informando a designação do PCC e do CV como organizações terroristas globais. O vídeo de agradecimento de Flávio foi postado por ele na mesma data.

No dia 29, a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, negou ao Estadão/Broadcast que a decisão tenha sido influenciada por pedidos feitos por políticos brasileiros, incluindo Flávio.

Em nota sobre a classificação, o governo brasileiro acusou o senador de ter ido aos Estados Unidos "defender intervenção estrangeira no Brasil".

Foto de Flávio Bolsonaro com detergentes Ypê foi gerada artificialmente

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Flávio afirma ter pedido que Brasil não seja taxado

O Escritório Comercial dos Estados Unidos alega que a tarifa proposta contra o Brasil seria uma forma de compensar "atos, políticas e práticas incoerentes" do País que "oneram ou restringem o comércio" americano.

A decisão detalha os resultados de uma investigação que abrangeu temas como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico (especialmente o Pix), a proteção à propriedade intelectual, o acesso ao mercado de etanol e o desmatamento ilegal no País.

O representante comercial americano, Jamieson Greer, declarou que ele e Trump organizaram "diversas reuniões construtivas" com Lula e a equipe do governo brasileiro, mas que as partes não chegaram a um consenso sobre a "resolução das questões identificadas nesta investigação".

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Como demonstrou o Estadão, após o anúncio dos Estados Unidos, petistas passaram a associar a decisão à visita que o pré-candidato fez à Casa Branca. Já os bolsonaristas passaram a culpar Lula pelas taxas.

O governo Lula emitiu nota atrelando a decisão à atuação da família Bolsonaro junto ao governo norte-americano. Flávio, por sua vez, afirmou nesta terça, 2, ter enviado uma carta pedindo que os Estados Unidos desistam de impor tarifas sobre o Brasil.

No documento, ele afirma ter feito essa solicitação pessoalmente durante a viagem ao país. A mesma declaração foi feita em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais: "Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente (JD) Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz, expresso a eles", afirmou.

Também nesta terça, 2, Trump fez sua primeira manifestação após a reunião com Flávio. Ele publicou uma foto do encontro nas redes sociais e disse que o senador é "um jovem inteligente que ama muito seu País".

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