OMS não disse para o mundo se preparar para 'surto brutal' de ebola

EPIDEMIA ATUAL DA DOENÇA ATINGE REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO E UGANDA E SE ESPALHA RAPIDAMENTE, MAS NÃO HÁ PANDEMIA; OMS COMEÇA A VER INDÍCIOS DE ESTABILIZAÇÃO

24 jul 2026 - 17h07

O que estão compartilhando: que a Organização Mundial de Saúde (OMS) teria pedido para que o mundo se prepare para um "surto brutal" de ebola.

OMS não pediu que o mundo se prepare para "surto brutal" de ebola
OMS não pediu que o mundo se prepare para "surto brutal" de ebola
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Não há um alerta recente da OMS para um "surto brutal" em todo o mundo, nem um novo posicionamento sobre uma emergência global da doença. Em maio, a epidemia de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda foi classificada como uma emergência de saúde pública de importância internacional, mas não como uma pandemia.

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Na terça-feira, 21, a OMS informou que o surto continua a se expandir, com 2.423 casos confirmados, 967 mortes e 469 recuperações em cinco províncias da RD Congo. Em Uganda, são 20 casos confirmados e dois óbitos até 17 de julho. Este é considerado o surto com crescimento mais rápido já registrado. Mesmo assim, a OMS disse começar a ver sinais de estabilização.

Saiba mais: A epidemia de ebola que atualmente atinge a República Democrática do Congo e Uganda é causada pelo vírus Bundibugy, uma variante menos comum, mas altamente letal e contagiosa. A doença é uma zoonose presente originalmente em morcegos frugívoros. Acredita-se que a infecção de humanos se dê pelo contato com sangue ou secreções de animais infectados e, depois, de pessoa para pessoa, por meio do contato direto com sangue, fluidos ou secreções corporais de infectados.

Essa mesma variante já causou outros dois surtos no passado e, em ambos os casos, foi responsável pela morte de mais de 30% dos infectados. Os surtos ocorreram em 2007 em Uganda e em 2012 na República Democrática do Congo.

Os primeiros sintomas da doença são semelhantes a uma gripe e é comum que os infectados tenham febre. Nas fases mais avançadas, o quadro pode se agravar e a pessoa pode ter hemorragias graves, com uma taxa de letalidade de cerca de 40%, segundo a OMS.

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A página responsável pelo post enganoso foi procurada, mas não respondeu até a publicação deste texto.

Surto continua se alastrando, mas não é uma pandemia

O post que viralizou sobre o assunto confunde porque dá a entender que a OMS fez um alerta para o risco de que a doença se espalhe pelo mundo. Mas o anúncio mais recente da entidade não diz isso. No último dia 21 de julho, o gerente de Incidentes da OMS, Thierno Baldé, fez um comunicado à imprensa afirmando que órgãos internacionais seguem trabalhando para conter o surto.

O epicentro continua sendo a província de Ituri, onde fica a cidade de Bunia, onde ele atua. Baldé informou que o vírus está se expandindo para cidades da região leste, locais onde há ameaças de conflito armado por parte de milícias e onde as populações se deslocam com frequência. Isso cria condições ideais para a propagação da doença.

"Sejamos claros, este surto ainda está à nossa frente e ainda estamos na fase de recuperação", explicou Baldé. "Priorizamos a expansão de sepultamentos seguros e dignos, um sistema de encaminhamento e a capacidade de gestão de casos clínicos nas áreas de transmissão mais ativa", completou.

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Ele afirmou que a OMS vem ajustando estratégias para se adaptar à realidade das áreas afetadas. Outro desafio é mobilizar as comunidades e incentivá-las a aceitar o tratamento e o acompanhamento e reforçar medidas de controle ao longo do Rio Congo, uma rota de trânsito crucial na região.

Alguns resultados, disse Baldé, são encorajadores, como é o caso de Kisangani, na província de Tshopo, para onde a OMS mandou equipes de resposta rápida. Por lá, todos os casos foram importados da província de Ituri e não há nenhum caso secundário, ou seja, novas contaminações de pessoa para pessoa.

Outros dois lugares com sinais de estabilização são as cidades de Mongbwalu, na província de Ituri, e Goma, em Kivu do Norte.

O que significa 'emergência de saúde pública de importância internacional'

Em 17 de maio, a OMS classificou a epidemia de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda como uma "emergência de saúde pública de importância internacional". Isso não significa que a doença irá se espalhar pelo mundo nem indica um risco iminente de pandemia.

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Na prática, o alerta serve para que a comunidade global tome medidas de preparação necessárias para lidar com eventuais casos da doença que possam ocorrer, sobretudo devido ao tráfego internacional - a maior parte dos casos de Uganda, por exemplo, foram importados da RD Congo.

Em nota técnica divulgada no dia 21 de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) explicou que a medida foi adotada pela OMS por conta do risco elevado de disseminação da epidemia a nível regional em países da África, além de não haver vacina ou terapia específica para esta variante.

As orientações da OMS no caso de identificação de um caso suspeito da doença são de adotar em 24 horas medidas para investigar e conter qualquer surto. Isso inclui isolar pacientes e rastrear contatos.

O último boletim divulgado pela OMS sobre o surto é de 17 de julho e aponta, além dos casos da RD, uma atualização sobre Uganda, França e Alemanha. O último caso diagnosticado em Uganda foi em 21 de junho e não há novos óbitos. Na França, o único caso confirmado foi importado e relatado no dia 24 de junho. O paciente se recuperou e teve alta em 4 de julho e não houve contaminação secundária.

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Já a Alemanha recebeu dois cidadãos dos Estados Unidos que atuavam na RD Congo: um médico e um trabalhador humanitário. O médico tinha sido diagnosticado em maio, recebeu tratamento, se recuperou e já teve alta. O trabalhador humanitário recebeu o diagnóstico em julho, foi levado a um hospital em Frankfurt e encontra-se internado e em condição estável.

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