Não há registro de que navio hospital chinês tenha oferecido atendimento médico à população no Rio

EMBARCAÇÃO FEZ VISITA OFICIAL AUTORIZADA PELO GOVERNO BRASILEIRO; VISITAS AO NAVIO ERAM RESTRITAS A JORNALISTAS E REPRESENTANTES CONSULARES

15 jan 2026 - 15h07

O que estão compartilhando: postagens afirmam que um navio chinês atracou no Rio de Janeiro e teria atendido, sem autorização, a população com procedimentos médicos e odontológicos gratuitos. Outros vídeos criam teorias de que a embarcação faria testes em brasileiros "como ratos de laboratório", criaria "clones" e até mesmo traria doenças desconhecidas ao Brasil.

Não há registro de que navio-hospital chinês tenha oferecido atendimento médico à população no Rio
Não há registro de que navio-hospital chinês tenha oferecido atendimento médico à população no Rio
Foto: Reprodução/Redes Sociais / Estadão

O Estadão Verifica checou e concluiu que: é enganoso. A Marinha do Brasil esclareceu que o navio-hospital Ark Silk Road atracou no porto do Rio para uma visita oficial, autorizada pelo governo brasileiro. Na autorização concedida ao navio, não havia previsão de atendimento médico à população. A Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (SES-RJ) confirmou que nenhum comunicado das autoridades chinesas sobre a visita do navio fazia alusão a qualquer tipo de atendimento de saúde dentro da embarcação. Reportagens da imprensa noticiaram que as visitas ao navio foram altamente controladas e ficaram restritas a jornalistas e representantes consulares.

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Saiba mais: O navio-hospital Ark Silk Road, que pertence à Marinha da China, atracou no Píer de Mauá, no Rio, em 8 de janeiro, onde permanece até esta quinta-feira, 15. A presença da embarcação motivou o compartilhamento de teorias da conspiração e de desinformação nas redes sociais.

O Verifica procurou a Marinha do Brasil e a Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, que negaram o oferecimento de procedimentos médicos à população no interior do navio-hospital chinês.

Em nota, a Marinha disse que a missão da embarcação "tem caráter oficial e diplomático". Segundo a nota, "não há previsão de atendimento de saúde à população brasileira".

A Secretaria de Saúde do Estado do Rio informou que "não consta em nenhuma comunicação realizada pelas autoridades chinesas alusão a qualquer tipo de atendimento de saúde". A pasta disse que autoridades estaduais participaram de uma audiência na sede do governo do Estado com o comando da embarcação.

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Também não foram encontrados registros na imprensa profissional de atendimentos de saúde a pessoas no interior do navio.

Uma transmissão do canal SBT Notícias, de 10 de janeiro, visitou as instalações da embarcação e mostrou o conjunto de equipamentos usados em missões de apoio médico e ajudas humanitárias. A repórter Isabela Veiga afirma na reportagem que a visitação não está aberta ao público e foi destinada para representantes do consulado e imprensa.

Uma notícia do Poder 360 informou que o controle de acesso em torno do barco foi altíssimo. Segundo a reportagem, visitantes espontâneos não eram permitidos no barco e a entrada apenas era permitida mediante autorização prévia do consulado chinês. A lista de visitantes foi encerrada em dezembro.

Navio foi autorizado a realizar atividades diplomáticas pela Marinha

A Marinha do Brasil disse, em nota, que o navio-hospital Ark Silk Road recebeu autorização do governo brasileiro para visita ao porto do Rio de Janeiro com caráter oficial e diplomático.

O Poder 360 publicou o documento em que a Embaixada da República Popular da China solicita autorização para a visita oficial do navio. O pedido foi enviado em 15 de setembro de 2025 ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

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Segundo o formulário do pedido, o navio não utilizaria equipamentos de radiotransmissão e nem realizaria pesquisas em águas ou portos brasileiros. O documento não cita procedimentos médicos no interior da embarcação.

O Consulado Geral da China publicou no X, em 9 de janeiro, que a Marinha chinesa realizaria "intercâmbio de conhecimentos, treinamentos conjuntos e atividades culturais". A publicação diz que a visita integra a Missão Harmony 2025, de 220 dias, que passará por países da América do Sul.

O Governo do Rio de Janeiro divulgou que houve um encontro entre representantes do Brasil e China, "símbolo da diplomacia" entre os países. A nota afirma que o navio-hospital ofereceu "intercâmbio profissional" na capital fluminense.

Cremerj pediu esclarecimentos à Secretaria de Saúde

Com a repercussão do caso, o Cremerj publicou um vídeo no Instagram, feito pelo conselheiro federal Raphael Câmara, afirmando ter recebido denúncias nas redes sociais sobre atuação médica irregular no interior do navio-hospital.

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O conselheiro afirma que foi até a embarcação para verificar os relatos, mas não recebeu autorização de entrada dos militares chineses. Ele afirma que houve informações divergentes sobre a realização ou não de atendimentos médicos e pediu esclarecimentos ao governo do Estado.

"Em resumo, nós estamos aqui, não estamos vendo nenhum atendimento nesse momento, então é o que a gente pode ver, não pudemos entrar", diz o conselheiro no vídeo. "Há alguns relatos aqui de que houve atendimento em algum momento, alguns dizem que só de pessoas chinesas, outros dizem que talvez não somente chineses".

Em nota enviada ao Verifica, o conselho de medicina disse que notificou formalmente a SES-RJ solicitando esclarecimentos sobre a atuação do navio-hospital chinês no Rio de Janeiro. O ofício encaminhado na segunda, 12, tem o prazo de 72 horas para resposta.

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