O que estão compartilhando: que o jornal The New York Times teria obtido acesso à primeira parte da delação premiada de Nicolás Maduro nos Estados Unidos e mostrado que o ditador venezuelano citou Luiz Inácio Lula da Silva 17 vezes e mencionou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Até o momento, Maduro não fez um acordo de delação com a Justiça americana - ele se declarou inocente na audiência de custódia após ser preso em uma operação militar dos Estados Unidos no dia 3 de janeiro. O The New York Times não publicou sobre uma delação de Maduro, nem no site, nem na edição impressa. O único documento sobre o caso publicado pelo jornal até a tarde desta quarta-feira, 21, foi a denúncia do Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra Maduro.
Saiba mais: Ao longo desta semana, posts se espalharam nas redes sociais alegando que Maduro teria feito uma primeira delação premiada nos Estados Unidos e que teria citado Lula e Moraes.
Os posts virais, contudo, se baseiam em um mesmo conteúdo falso: um vídeo criado com inteligência artificial e publicado em um canal do YouTube que produz histórias fictícias de teor político.
Como já mostrou o Verifica, há um aviso na descrição das publicações desse canal de que o conteúdo é ficcional, mas ela só aparece no final da legenda de cada vídeo. A descrição do canal também informa que os vídeos são fictícios e feitos para "entretenimento".
NYT não publicou sobre delação de Maduro
Desde que foi preso, no dia 3 de janeiro, Maduro passou por uma única audiência nos Estados Unidos, no dia 5, na qual se declarou inocente de todas as acusações. A próxima será em 17 de março.
A narrativa de que Lula e Moraes foram citados em uma delação foi desmentida esta semana pelo Verifica. Desta vez, outro post viral afirma que o jornal The New York Times teria obtido acesso à delação e publicado "trechos bombásticos na edição desta madrugada".
O vídeo falso foi ao ar em 14 de janeiro, mas não há trechos de uma delação de Maduro publicados pelo jornal no site ou na edição impressa daquele dia.
Quem já citou Lula e o PT em outros momentos foi o ex-chefe de Inteligência da Venezuela Hugo Carvajal, que chegou a escrever uma carta a um juiz da Espanha relatando que dinheiro venezuelano foi usado para financiar partidos de esquerda na América Latina e na Europa.
Ele citou Lula, o PT e o partido espanhol Podemos, mas a investigação sobre o caso foi arquivada porque Carvajal não apresentou provas, apenas relatos de terceiros.
Nos Estados Unidos, onde Carvajal é acusado de narcoterrorismo, contrabando de armas e tráfico internacional de drogas, ele fez um acordo de delação, mas não há notícias de que ele tenha citado Lula, o PT ou Moraes em seus depoimentos. A denúncia da justiça dos EUA contra Maduro, que usa a delação de Carvajal, não cita as autoridades brasileiras.