Um cearense conseguiu um feito raro no universo da tecnologia e da segurança digital. Utilizando apenas o próprio celular em parte das análises, o advogado e pedagogo George Luiz de Freitas Souza, de 43 anos, passou a integrar o Hall da Fama de cibersegurança da NASA após identificar vulnerabilidades consideradas graves nos sistemas da agência norte-americana.
Natural de Iguatu, George participou de um programa oficial conhecido como Bug Bounty, iniciativa em que especialistas em segurança digital recebem autorização para localizar falhas em plataformas e sistemas tecnológicos antes que criminosos possam explorá-las.
Segundo ele, parte das descobertas foi realizada diretamente pelo celular. O processo envolveu noites de análise em computador e também testes feitos remotamente por dispositivos móveis.
Após reportar as vulnerabilidades encontradas, as informações passaram por validação técnica da própria agência espacial. Dias depois, George recebeu a confirmação de que entraria para o grupo de especialistas reconhecidos oficialmente pela Nasa por contribuições na área de segurança cibernética.
Hall da Fama
O Hall da Fama da agência reúne profissionais conhecidos como "hackers éticos" ou "hackers do bem", especialistas que utilizam conhecimento técnico para fortalecer sistemas digitais e prevenir ataques virtuais.
George explicou que, por questões de confidencialidade do programa, não pode divulgar detalhes técnicos das falhas identificadas nem as datas exatas dos testes realizados.
Além do reconhecimento internacional, ele também deverá receber uma carta oficial da agência espacial validando o trabalho desenvolvido. O documento costuma funcionar como referência importante para profissionais da área de tecnologia e segurança digital.
Trajetória
Segundo George, a experiência pode abrir portas para futuros trabalhos em empresas privadas e projetos internacionais ligados à proteção de sistemas.
Apesar do reconhecimento na área tecnológica, a trajetória profissional dele começou distante do universo da cibersegurança. Formado em pedagogia e direito, George atua desde 2011 no Instituto Federal do Ceará (IFCE), no campus de Tauá, onde trabalha na área administrativa.
O interesse mais profundo pela tecnologia cresceu durante a pandemia, período em que passou a frequentar comunidades online voltadas à segurança digital e programação.
Em 2023, decidiu aperfeiçoar os conhecimentos técnicos ao ingressar em cursos especializados na área de hacking ético e análise de vulnerabilidades.
George relembra que o interesse por computadores começou ainda na infância, quando desmontava aparelhos eletrônicos para entender como funcionavam.
Agora, décadas depois, o hobby de infância o levou a conquistar reconhecimento dentro de uma das instituições mais conhecidas do planeta na área científica e tecnológica.