O Banco de Brasília (BRB) protocolou junto ao Banco Central, nesta sexta-feira (6), o seu Plano de Capital. O documento detalha estratégias para o fortalecimento do patrimônio da instituição financeira. A entrega ocorreu durante reunião entre o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, e representantes do órgão regulador, com a presença do secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias.
A elaboração do plano surge após o registro de inconsistências em operações realizadas entre o BRB e o Banco Master. Entre 2024 e 2025, a instituição brasiliense destinou R$ 16,7 bilhões para a aquisição de carteiras de crédito da referida entidade. Investigações apontam que parte desses ativos apresentava valores divergentes e ausência de garantias financeiras, o que impactou o balanço patrimonial do BRB.
Embora o banco condicione a definição de valores à conclusão de auditorias, o Banco Central projeta que a recomposição demandará ao menos R$ 5 bilhões. O objetivo das medidas é adequar a instituição aos índices de solvência exigidos pela legislação bancária brasileira e assegurar a continuidade das operações.
O conjunto de medidas deve ser executado em um prazo de 180 dias. Entre as alternativas estudadas pelo BRB e pelo Governo do Distrito Federal (GDF) — acionista controlador com 71,92% do capital — estão:
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Aporte direto de recursos: Repasse de capital pelo controlador para a instituição.
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Constituição de Fundo de Investimento Imobiliário (FII): Utilização de imóveis pertencentes ao GDF para compor o patrimônio.
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Empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC): Contratação de linhas de crédito para reforço de caixa.
Qualquer medida que envolva recursos diretos ou ativos do Distrito Federal dependerá de análise e aprovação da Câmara Legislativa do DF.
O Ministério Público acompanha o caso sob indícios de gestão irregular nas transferências bilionárias ao Banco Master, instituição que sofreu liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025 por crise de liquidez.
Apesar da fragilidade patrimonial momentânea, avaliações técnicas indicam que o BRB não apresenta risco de falência, fundamentando-se na capacidade de suporte financeiro do governo distrital. O Plano de Capital visa restabelecer o perfil dos ativos e manter a conformidade com as normas do sistema financeiro nacional.