SP: detidos em protesto são levados para centros de detenção provisória

12 jun 2013 - 12h47
(atualizado às 13h50)

As 11 pessoas que continuam detidas por causa da manifestação contra o aumento das passagens do transporte público começaram a ser transferidas, na manhã desta quarta-feira, para um centro de detenção provisória (CDP). Os detidos estavam na 78º Distrito Policial (DP), no bairro Jardins, e foram levados para o 2º DP, no Bom Retiro. Em seguida, para os CDPs. Os primeiros três a serem levados foram o metalúrgico William Borges Euzébio, 20 anos, o estudante universitário Júlio Henrique Cardial Camargo, 21 anos, e o jornalista Raphael Sanz Casseb, 26 anos.

Raphael foi detido, de acordo com o boletim de ocorrência, por ter danificado uma guarita da Polícia Militar (PM). Para esse caso, foi imposta uma fiança de R$ 20 mil, que ainda não foi paga, por isso ele poderá ser transferido ao CDP. De acordo com o delegado do 78º DP, Severino Pereira de Vasconcelos, eles foram levados primeiramente para outra delegacia porque é essa unidade que faz o deslocamento deles para o CDP. 

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Na noite de ontem - terceiro dia de protestos contra o aumento da passagem, que passou de R$ 3 para R$ 3,20 no último dia 2 -, 19 pessoas foram presas, durante uma manifestação à noite. Seis delas, encaminhadas ao 78º DP, foram liberadas por ter cometido atos de menor gravidade, como pichação, desacato a autoridade e obstrução de vias.

<p>O trabalhador autônomo Bruno Lourenço (esq.) e o estudante Rafael Pereira Medeiros são levados ao CDP</p>
O trabalhador autônomo Bruno Lourenço (esq.) e o estudante Rafael Pereira Medeiros são levados ao CDP
Foto: Fernando Borges / Terra

Os demais presos estão sendo acusados de dano ao patrimônio, formação de quadrilha e incêndio. Como a soma das penas ultrapassa quatro anos de detenção, a fiança não pode ser definida pelo poder policial, somente pela Justiça. O delegado informou que mais seis detidos deverão ser encaminhados ao 2º DP ao longo do dia, tendo em vista que a unidade conta com uma viatura para fazer esse transporte.

A estudante Stephanie Fenselau, 25 anos, única mulher do grupo, será levada para o 89° DP. Os demais presos são o professor Rodrigo Cassiano dos Santos, 24 anos, o estudante André Marcos Martins, 26 anos, o jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, 27 anos, o estudante Rafael Pereira Medeiros, 20 anos, o autônomo Bruno Lourenço, 19 anos, o publicitário Clodoaldo Almeida da Silva, 28 anos, e o professor Idelfonso Hipólito Penteado, 43 anos. O delegado informou que nenhuma das pessoas detidas tem antecedentes criminais.

O Movimento Passe Livre, que organiza os protestos, programou duas manifestações na semana passada, nas quais também ocorreram confrontos com a polícia. Um novo ato está marcado para quinta-feira. Às 14h de hoje, o Ministério Público de São Paulo vai fazer uma audiência pública com organizações civis contrárias ao aumento da tarifa de transporte coletivo no município. Participam do encontro, representantes das secretarias estadual e municipal de transportes.

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Protesto dura cerca de seis horas

Após quase seis horas do início do protesto contra o aumento das tarifas de ônibus, trem e metrô na capital paulista, foram registrados pelo menos 20 prisões de manifestantes e três casos de policiais militares feridos por pedras. A informação é do tenente-coronel Marcelo Pignatari, que comandou o policiamento que acompanhou os manifestantes, e disse ainda que os detidos foram encaminhados ao 78º Distrito Policial (Jardins).

A manifestação começou de maneira pacífica, mas os primeiros tumultos começaram logo no início da passeata, na rua da Consolação, onde um jovem ciclista foi detido ao trafegar na única faixa liberada na via. A partir daí, o clima continuou tenso, com novos episódios de confronto entre manifestantes e policiais militares. 

A situação se agravou, porém, em frente ao terminal de ônibus Parque Dom Pedro. Após cerca de 20 minutos concentrados em frente ao local, um grupo de jovens tentou levar a passeata ao local, entregando flores aos policiais, mas foi impedida pela PM, que disparou bombas de gás lacrimogênio e tiros de bala de borracha. 

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A PM não soube informar quantos manifestantes ficaram feridos, mas a reportagem presenciou vários jovens sendo atingidos por cassetetes e balas de borracha disparados pelos policiais. Pelo menos dois manifestantes ficaram feridos após serem atropelados por um motorista, que dirigia um Fiat Uno, que se irritou com a manifestação e atirou o carro contra os jovens - um homem e uma mulher, que não se feriram com gravidade.

Segundo os organizadores, o objetivo da manifestação era "parar o País para serem escutados em Paris", em referência à cidade para onde o prefeito, Fernando Haddad (PT), e o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), foram para defender a candidatura da cidade para ser sede da Expo2020. No início do protesto, muitos passageiros de ônibus demonstraram apoio à passeata, aplaudindo a manifestação. Entretanto, a pichação dos veículos - muitos ônibus - e de prédios públicos foi reprovada por muitas pessoas que assistiam ao protesto.

Confrontos

O protesto foi marcado por confrontos entre os manifestantes e policiais militares. Um grupo usou lixeiras e pedras para destruir vidraças de agências bancárias. Na rua Silveira Martins, o diretório do PT também foi apedrejado.

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A Tropa de Choque da PM usou bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes, após o confronto no terminal de ônibus do parque Dom Pedro. Com isso, grande parte dos participantes do ato subiu para a avenida Paulista.

A manifestação teve início, no fim da tarde, com uma concentração no fim da Paulista. Depois saiu em passeata pela rua da Consolação. Em seguida, os participantes bloquearam completamente a Radial Leste, pegaram a avenida Liberdade, passando pela praça da Sé. Na avenida Rangel Pestana, um pequeno grupo apedrejou e queimou um ônibus elétrico que estava estacionado. No parque Dom Pedro, eles foram impedidos pela polícia de entrar no terminal de ônibus.

Aumento da tarifa

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Desde o dia 6, a cidade vem enfrentando protestos.

Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse em nota. 

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O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. O decreto foi publicado, mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.

Com informações da Agência Brasil. 

Fonte: Terra
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