Após a derrota no primeiro turno contra Flávio Bolsonaro, a campanha de Lula enfrenta cobranças por falta de diretrizes enquanto reestrutura sua coordenação. Diante desse vácuo e da agenda ainda tímida do presidente, estudantes, influenciadores, fã-clubes e aliados políticos assumiram o protagonismo de forma voluntária, promovendo atos de rua em vários estados, panfletagens e forte mobilização nas redes sociais para reverter votos e alertar contra o avanço do adversário no segundo turno.
Cinco dias depois de terminado o primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula fez nesta sexta-feira sua primeira agenda externa, mas enquanto seu partido tenta se reorganizar depois da derrota inicial para Flávio Bolsonaro (PL), grupos regionais, estudantes, influenciadores e organizações de fãs, os chamados fandoms, foram para as ruas, mesmo sem orientações claras.
Já desde terça-feira, passada a derrota por quase 2 pontos percentuais, grupos começaram a se organizar pela internet. Na quarta-feira, milhares de estudantes foram às ruas no Rio de Janeiro contra a eleição de Flávio Bolsonaro. Desde então, houve manifestações de estudantes em pelo menos 10 Estados.
No domingo, na Paulista, outra marcha está sendo organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), apoiada por fã-clubes de centenas de artistas pop, que foram às redes declarar apoio ao presidente e se oferecer para ocupar as redes em defesa da campanha do presidente.
"Vocês viram as manifestações dos estudantes. São iniciativas próprias, voluntárias, de quem não quer o risco desse país voltar ao modelo que teve no governo Bolsonaro", disse o senador Camilo Santana, que se incorporou à coordenação da campanha neste segundo turno.
O que parece ser um ponto positivo, no entanto, acaba por dar razão a queixas de aliados: quase uma semana se passou das três de campanha nesse segundo turno e pouca ou quase nenhuma orientação veio da coordenação da campanha, que tenta se reestruturar com novos nomes depois de enormes críticas de aliados à condução da campanha no primeiro turno.
"Não recebemos nada, mas não vamos parar. A gente está fazendo o que pode, tem mobilização todo dia", diz uma fonte de campanha regional.
Só não tem o presidente.
Lula fez nesta sexta-feira uma caminhada em Ceilândia, cidade-satélite de Brasília, seu primeiro evento de campanha. No sábado, tem outro evento no Rio Grande do Norte, mas a agenda para por aí. No domingo, quem deve ir à Paulista com os estudantes é o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Camilo Santana afirma que o presidente irá a Minas, São Paulo e vários Estados, mas a agenda ainda não está definida.
"Não tem como ir a todos os Estados", disse.
Um parlamentar que participou das reuniões esta semana disse à Reuters que, mesmo sem orientações específicas, os parlamentares e candidatos, mesmo os que não foram eleitos, estão mantendo suas estruturas para tentar ajudar na campanha nacional como podem.
Na quinta-feira, em São Paulo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, o ex-ministro Fernando Haddad, candidato derrotado ao governo de São Paulo e diversos deputados eleitos fizeram uma "plenária de mobilização, na zona central de São Paulo, para organizar mutirões de panfletagem.
No mesmo dia, à tarde, Haddad foi à Paulista distribuir panfletos.
É nas redes que a interação subiu, com diversos grupos e influenciadores não apenas declarando voto, mas usando o alcance para marcar manifestações e falar não apenas de propostas, mas do que veem como riscos de um futuro governo Flávio Bolsonaro e dividindo estratégias para mudar votos.