Quais ministros do STF estão ligados a Vorcaro, ex-banqueiro preso pelo escândalo do Master

Documentos da PF e mensagens do ex-banqueiro apontam relações do ex-dono do Master com ministros da Suprema Corte

2 set 2026 - 13h00
(atualizado às 13h28)
Documentos da PF apontam diferentes níveis de aproximação entre o ex-banqueiro e ministros do STF
Documentos da PF apontam diferentes níveis de aproximação entre o ex-banqueiro e ministros do STF
Foto: Divulgação/STF

Documentos da Polícia Federal (PF) e mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, apontam diferentes níveis de aproximação entre o ex-banqueiro, que está preso por suspeita de fraudes financeiras bilionárias, lavagem de dinheiro, corrupção e obstrução de Justiça, e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)

Os registros apontam possível envolvimento que vão desde vantagens financeiras oferecidas ao entorno de Alexandre de Moraes até encontros presenciais com Dias Toffoli, que foi relator dos processos relacionados ao banco na Corte, e uma reunião de um interlocutor com André Mendonça, admitida pelo ministro, que negou ter tratado do Master.

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O Terra explica abaixo, de forma resumida, um pouco da relação de cada ministro com Vorcaro.

Alexandre de Moraes

Documento da PF traz mensagens enviadas por Vorcaro a um número de telefone atribuído a Alexandre de Moraes
Foto: WILTON JUNIOR / Estadão

A relação que envolve o ministro Alexandre de Moraes é a que reúne os indícios mais abrangentes nos documentos da investigação. As mensagens analisadas pela PF e que vieram à tona na terça-feira, 1, mostram que Vorcaro teria buscado a ajuda de Moraes para lidar com o avanço das investigações contra ele no escândalo Master. 

Em uma das conversas, o banqueiro menciona a necessidade de obter a “proteção” de “Andrei” e “Paulo”. Segundo os investigadores, as referências seriam ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O conteúdo levou o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, a pedir esclarecimentos à PGR sobre o contexto da mensagem.

A investigação também cita mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes nos dias que antecederam a prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Segundo os registros, Vorcaro chegou a perguntar ao ministro se deveria deixar o país. A PF também identificou pedidos de encontros para tratar dos negócios que deram origem à investigação.

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Segundo a PF, além dos pedidos de proteção, Vorcaro ofereceu uma série de vantagens financeiras a Moraes e a familiares, incluindo contratos milionários de honorários advocatícios, proposta de transferência de cotas de um jato e de um helicóptero, além do pagamento de viagem internacional e experiências de luxo.

A investigação descortina a relação financeira entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O escritório teria firmado contrato para receber 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos. 

Segundo a investigação, o nome de Alexandre de Moraes aparece nos metadados de duas versões da minuta do contrato. A interpretação da PF é de que há indícios de que o usuário de Moraes tenha sido utilizado para editar os arquivos no computador.

Em relação aos benefícios, a PF também identificou uma tentativa de proporcionar uma experiência de luxo a Moraes em Campos do Jordão. A investigação também cita a participação de Moraes no I Fórum Jurídico Londres Brasil de Ideias, realizado entre 24 e 27 de abril de 2024, com despesas da viagem que, segundo a PF, seriam custeadas pelo ex-banqueiro.

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O ministro Alexandre de Moraes e o escritório de sua esposa foram procurados pelo Terra para comentar as informações, mas não haviam se manifestado. A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não comentaria.

Dias Toffoli

A relação entre Dias Toffoli e Vorcaro envolve suspeitas de conflito de interesses, transações imobiliárias ligadas a familiares e a relatoria do caso
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

A relação de Daniel Vorcaro com Dias Toffoli ganhou relevância porque o ministro foi relator dos processos relacionados ao Banco Master no STF. Segundo relatório da PF, os dois se encontraram presencialmente ao menos dez vezes entre 2023 e 2024.

De acordo com a investigação, os encontros, que ocorreram principalmente em eventos em Brasília, como jantares e festas, indicariam uma relação de amizade além daquela registrada nas conversas de WhatsApp entre os dois.

Toffoli deixou a relatoria dos casos do Banco Master depois que a PF entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório sobre a relação do ministro com Vorcaro. 

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O ministro confirmou posteriormente que fez negócios com um fundo de investimentos ligado ao banqueiro, mas afirmou que não tem "relação de amizade" com Vorcaro.

A relação do ministro com o Master também passou a ser questionada após a revelação de vínculos de familiares de Toffoli com pessoas ligadas ao banco. O Estado de S. Paulo mostrou que os irmãos do ministro, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, foram sócios no resort Tayaya, em Ribeirão Claro (PR), por meio da empresa Maridt Participações S.A.

Eles venderam uma participação milionária no empreendimento ao Arleen Fundo de Investimentos, da Reag Investimentos, investigada por abrigar estruturas de fundos ligados ao Master e suspeitos de sonegação bilionária no mercado de combustíveis. O único cotista do Arleen era o fundo de investimentos Leal, que, por sua vez, tinha como único cotista o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Em nota divulgada na época, Toffoli confirmou que é sócio anônimo da Maridt e recebeu dividendos. O ministro afirmou, porém, que a empresa é de caráter familiar e que, embora integre o quadro societário, a administração fica a cargo de seus familiares.

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André Mendonça

André Mendonça é relator do caso Master no STF
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Mensagens e áudios também revelaram uma tentativa de aproximação de Daniel Vorcaro com o ministro André Mendonça. Os diálogos, divulgados pelo site ICL nesta quarta-feira, 2, teriam sido extraídos do celular do banqueiro e indicam que os dois se encontraram em 14 de março de 2025, em São Paulo.

Mendonça admitiu a reunião em nota, mas negou que tenha tratado da situação do Banco Master durante o encontro. As mensagens apontam que o advogado baiano Ciro Rocha Soares e o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) atuaram como articuladores do encontro entre Vorcaro e o ministro.

A divulgação das conversas ocorreu um dia depois de Mendonça determinar a retirada do sigilo de um relatório da PF que aponta uma aproximação entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Fachin diz que ‘autoridade do cargo não confere privilégio’ após mensagens de Vorcaro a Moraes
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Fonte: Portal Terra
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