Preso pela PF, pai de Vorcaro doou R$ 1 milhão ao partido de Zema em 2022

O empresário mineiro Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso nesta quinta-feira (14) durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal

14 mai 2026 - 10h51
(atualizado às 15h41)
Romeu Zema era o candidato à reeleição ao governo de Minas à época da doação
Romeu Zema era o candidato à reeleição ao governo de Minas à época da doação
Foto: Bloomberg via Getty Images / BBC News Brasil

O pai do banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, doou R$ 1 milhão ao diretório estadual do Partido Novo em Minas Gerais em 2022, mostram dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vistos pela BBC News Brasil.

Empresário, Henrique Vorcaro foi preso nesta quinta-feira (14) durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.

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A nova etapa da investigação foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça e inclui sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Romeu Zema era o candidato à reeleição ao governo de Minas à época da doação.

Por meio de sua assessoria de comunicação, ele disse que o dinheiro foi doado para o partido, não para ele, e que "nenhum centavo entrou" em sua campanha.

Disse ainda que a doação para o partido foi em 2022, "quando não havia nem mesmo suspeita contra Vorcaro. A PF só iniciou as investigações sobre o Banco Master em 2024."

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Ele reforçou que a doação ao partido foi "perfeitamente legal e transparente" e que está registrada na Justiça Eleitoral.

Já o Partido Novo disse que "é pública e devidamente registrada nas prestações de contas do partido a doação feita por Henrique Vorcaro ao Partido Novo nas eleições de 2022" e que "na época, as ilegalidades do Banco Master ainda eram desconhecidas. Desde que o caso veio à tona, o partido e sua bancada no Congresso têm criticado e atuado na investigação dos escândalos em que o banco está envolvido."

O partido afirma, em nota, que "jamais escondeu a origem de suas doações, tampouco condiciona sua atuação política aos interesses dos milhares de doadores que contribuem voluntariamente com o partido."

Henrique Vorcaro em foto do seu perfil no LinkedIn
Foto: Reprodução/Linkedin / BBC News Brasil

Atrito entre Flávio Bolsonaro e Zema

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março e negocia um acordo de delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em um desdobramento recente do caso, vieram à tona mensagens e áudios atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em que ele cobra pagamentos prometidos por Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo reportagem do Intercept Brasil, Flávio teria negociado um aporte total de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para o longa. O senador afirmou anteriormente que não tinha relação com Vorcaro.

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Cotado para ser candidato a vice em uma chapa com Flávio, Zema criticou o aliado em vídeo publicado nas redes sociais no início da noite de 13/5.

"Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil", disse,.

Quem é Henrique Vorcaro

Segundo a PF, os investigados são suspeitos de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. A prisão foi autorizada pelo Supremo.

Discreto publicamente, Henrique é empresário do setor de infraestrutura e construção pesada em Minas Gerais e fundador do Grupo Multipar, conglomerado que atua em áreas como engenharia, energia, agronegócio e mercado imobiliário.

Segundo dados da Receita Federal compilados pela BBC News Brasil na plataforma Cruzagrafos, Henrique Vorcaro aparece como sócio ou administrador de empresas cujo capital social somado se aproxima de R$ 500 milhões.

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A turma

Na decisão de 59 páginas, o ministro André Mendonça acolhe a tese de que Henrique Vorcaro não seria figura periférica na organização criminosa atribuída ao filho, mas peça ativa.

O documento diz que o pai do banqueiro "atuava em conjunto com o filho" Daniel Vorcaro, "como solicitador e beneficiário dos serviços ilícitos prestados pelo grupo".

A PF diz, segundo o documento, que o grupo investigado era dividido em dois núcleos: um presencial, responsável por contatos e entregas físicas, e outro digital, voltado à obtenção clandestina de informações sigilosas e monitoramento de alvos.

Os dois núcleos eram identificados pelos apelidos "A Turma" e "Os Meninos", de acordo com os investigadores.

"A Turma" reuniria policiais federais da ativa e aposentados, operadores do jogo do bicho e outros integrantes suspeitos de executar ações presenciais, monitoramento e obtenção de informações sigilosas.

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Já o núcleo chamado "Os Meninos" teria perfil voltado à atuação digital. Segundo a PF, o grupo seria formado por agentes com "perfil hacker", responsáveis por invasões de dispositivos, monitoramento ilícito e possível destruição ou ocultação de evidências digitais.

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