Trump diz que 'não vai se envolver' após Flávio se autodeclarar 'presidente eleito' do Brasil

Mandatário norte-americano se manifestou após candidato derrotado na eleição brasileira divulgar carta; Flávio chegou aos EUA nesta quarta-feira depois de ser derrotado nas urnas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva

28 out 2026 - 18h20
(atualizado às 19h35)
Resumo
Donald Trump afirmou que não vai interferir na turbulência pós-eleitoral do Brasil, após Flávio Bolsonaro fugir para os EUA e divulgar carta autodeclarando-se o presidente eleito, alegando fraude sem provas. Derrotado por Lula no segundo turno, o senador descumpriu ordem judicial para entregar seus passaportes e deixou o país via Argentina. Trump autorizou a entrada de Flávio por considerar que ele foi tratado de forma injusta, enquanto o próprio partido do senador já reconheceu o resultado das urnas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 28, que não se envolverá na turbulência pós-eleitoral no Brasil, após Flávio Bolsonaro — que chegou nesta quarta ao território norte-americano depois de ser derrotado nas urnas — declarar-se o "verdadeiro presidente eleito" brasileiro em uma carta golpista.

"Bem, não vou fazer comentários sobre isso, mas sei que demos a ele permissão para entrar no país; então, vamos ver", disse Trump a repórteres ao ser questionado sobre a declaração de Bolsonaro, seu aliado de direita. "Mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo."

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Questionado sobre por que seu governo decidiu permitir a entrada deles no país, Trump declarou: "Acho que foram tratados de forma muito injusta. Não tomei posição sobre a eleição, como vocês sabem, mas, quando vejo algo que é inapropriado, eu digo".

O senador Flávio Bolsonaro divulgou nesta quarta-feira uma carta em que agradece a Trump a ao presidente da Argentina, Javier Milei. Em tom golpista, o senador se autodeclara como "verdadeiro presidente eleito do Brasil". É a primeira vez que ele se manifesta após deixar o País.

Flávio foi derrotado no último domingo, 25, no segundo turno das eleições. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou um quarto mandato inédito com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% do adversário. O candidato do PL não reconheceu a derrota nas urnas e deixou o País.

A vitória de Lula foi reconhecida pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, na noite do último domingo, 25. O Partido Liberal (PL) e o vice de Flávio na chapa derrotada, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), também atestaram o resultado das urnas.

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Flávio havia sido intimado na segunda-feira, 26, para entregar seus passaportes em até 24 horas. A ordem se deu em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro do senador com o advogado Willer Tomaz. O prazo venceu e Flávio não compareceu. A Polícia Federal comunicou o descumprimento ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e realizou o cancelamento dos passaportes dele em seu sistema de controle.

Flávio deixou o Brasil com sua mulher e as duas filhas do casal de carro via Foz do Iguaçu na terça-feira, 27. A família embarcou em um jato particular no Aeroporto Internacional de Cataratas del Iguazu, na Argentina, e desembarcou em Miami nesta quarta-feira, pouco depois das 10h30, pelo horário de Brasília.

Flávio usou o passaporte italiano para entrar na Argentina e diplomático para os EUA. A PF já havia cancelado os documentos brasileiros, que não poderiam ter sido usados.

Antes da fuga, o senador prometeu "pedir a anulação" do segundo turno no domingo, em entrevista a jornalistas, e buscar a cassação da chapa de Lula e Alckmin na segunda.

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Carta divulgada por Flávio tem três versões

A carta divulgada nesta quarta já tem três versões. A primeira tem um brasão escrito "Estados Unidos do Brazil", com o nome do País escrito em inglês e a data de 15 de novembro de 1889. O emblema remonta à Proclamação da República e vigorou até 1968.

Quinze minutos depois, foi divulgada uma nova versão, atualizando o brasão com o nome correto do País.

Uma terceira versão foi publicada por Flávio nas redes sociais, na qual ele abrandou o tom, autointitulando-se "o líder do Brasil" e não mais o "verdadeiro presidente eleito".

Na carta, Flávio diz que o resultado do segundo turno é uma "fraude eleitoral", sem apresentar provas, repetindo o discurso do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022.

Ele também caracteriza como "atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula" a prorrogação em duas horas do horário de votação definida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, após pedidos tanto do PT como do PL. O candidato derrotado ainda se compara a políticos de esquerda e de direita que partiram para o exílio. / COM AFP

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