O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, tirou férias para se dedicar à campanha de reeleição de Lula após sofrer pressão interna de dirigentes do PT pelo resultado no primeiro turno. A estratégia visa blindar e reforçar o marketing petista, que já incluiu Rafael Fonteles para impulsionar o engajamento digital e negocia parceria com o publicitário Otávio Antunes. Além disso, a articulação política passa a contar com Camilo Santana para expandir o apoio ao presidente nas próximas semanas.
BRASÍLIA - Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entrará em férias da pasta nesta segunda-feira, 12, para mergulhar de vez na campanha petista pela reeleição.
O movimento busca reforçar a equipe de comunicação, formada por aliados, e demarcar posição na estratégia da campanha nas próximas duas semanas. Esse núcleo é o principal alvo de ataques internos da cúpula do partido.
Como mostrou o Estadão, um dia após o resultado do primeiro turno da disputa pelo Palácio do Planalto, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) à frente, dirigentes do PT responsabilizaram Sidônio por boa parte dos problemas. Sidônio é sócio de Raul Rabello, marqueteiro da campanha, e comandou a equipe na vitória de Lula em 2022.
Ainda que oficialmente dentro do ministério, Sidônio participava do planejamento da campanha e fez aconselhou o presidente diretamente para tomar algumas ações nesse ciclo eleitoral. Exemplo disso foi a decisão de Lula em proibir as bets no Brasil por meio de uma medida provisória - ideia que o ministro sugeriu em diversas oportunidades.
Após a cúpula petista cobrar mudanças na comunicação, o PT reforçou a equipe nesta semana e incluiu Rafael Fonteles (PT), governador reeleito do Piauí e o mais bem votado do Brasil em 4 de outubro.
Fonteles ganhou força após uma reunião em Brasília, no dia seguinte à votação, na qual sugeriu que Lula gravasse mais vídeos para as redes sociais no formato de "selfie".
O resultado apareceu em menos de uma semana, com aumento do engajamento. No primeiro ato de Lula no segundo turno, nesta sexta-feira, 9, o presidente disse que está virando o "rei da selfie".
Ao menos por enquanto, não se discute a substituição de Rabelo, mas, sim, uma parceria com o marqueteiro Otávio Antunes, dono de um estilo de comunicação mais agressivo. O publicitário fez críticas nos bastidores à atuação da equipe de comunicação da campanha do presidente e foi responsável pelos programas eleitorais de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo. Haddad foi derrotado no primeiro turno, com 36,4% dos votos válidos.
Coordenador-geral da campanha, Edinho passará a contar com a ajuda do líder do PT no Senado, Camilo Santana. Ex-ministro da Educação, Camilo atuará na articulação política, na tentativa de obter apoio para o presidente. A entrada de Camilo foi bem recebida pela equipe de comunicação da campanha.