Quem é Fernando Cerimedo, antigo estrategista de Milei e aliado de Eduardo Bolsonaro, preso na terça

Influenciador argentino entrou na mira do MP e da Justiça brasileira após fazer transmissões ao vivo, em 2022. Ele foi preso na Bolívia por suspeita de envolvimento em ataque a tiros contra a ex-mulher

19 ago 2026 - 10h07
(atualizado às 10h14)
O argentino Fernando Cerimedo e o deputado Eduardo Bolsonaro
O argentino Fernando Cerimedo e o deputado Eduardo Bolsonaro
Foto: @cerimedofernando via Twitter / Estadão

RIO - Preso por suspeita de envolvimento em um ataque a tiros contra sua ex-mulher, o influenciador argentino Fernando Cerimedo é um antigo aliado do presidente da Argentina, Javier Milei, e do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL).

Cerimedo entrou na mira do Ministério Público e da Justiça brasileira após fazer transmissões ao vivo, em 2022, com informações falsas sobre o sistema eletrônico de votação do Brasil.

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Ele foi preso nesta terça-feira, 18, no Aeroporto Internacional Viru Viru (VVI), a cerca de 17 km do centro de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Cerimedo foi preso por agentes da Força Especial de Combate ao Crime (Felcc) no terminal do aeroporto, quando se preparava para embarcar em um voo para a Argentina.

Proprietário do canal e portal La Derecha Diario, Cerimedo se aproximou do clã Bolsonaro durante a campanha presidencial passada. Após o segundo turno das eleições presidenciais, fez uma transmissão ao vivo para apresentar um suposto relatório que colocava dúvida as urnas eletrônicas brasileiras.

A tese, amplamente refutada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), serviu como combustível para a mobilização do bolsonarismo contra o resultado do pleito. O caso levou a Polícia Federal a indiciá-lo no âmbito dos inquéritos que investigaram a tentativa de golpe de Estado.

O empresário Fernando Cerimedo em transmissão pelas redes sociais, em 2022, após derrota de Jair Bolsonaro no Brasil. Live tinha informações falsas sobre urnas eletrônicas para tentar apontar fraude em derrota do aliado
Foto: La Derecha Diario via YouTube / Estadão

Segundo os investigadores, o argentino teria integrado o chamado "Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral", utilizado pela organização criminosa para propagar conteúdos sem sustentação técnica com o objetivo de desacreditar as instituições brasileiras.

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu, no entanto, não denunciar Cerimedo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou que, embora comprovada a divulgação de informações infundadas pelo estrategista político, as apurações não conseguiram demonstrar se ele agiu com conhecimento e adesão ao projeto de golpe.

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