A vereadora de Niterói Fernanda Louback (PL) pode virar vice-governadora do RJ após o TSE anular os votos de Anthony Garotinho, garantindo a vitória de Douglas Ruas (PL) em 1º turno contra Eduardo Paes. Ex-miss, empresária e mãe atípica, Louback preside o PL Mulher local e foca em pautas sobre autismo e família. Ela ganhou notoriedade por declarações polêmicas, oposição a pautas progressistas, como banheiros neutros, e embates sobre raça e costumes na Câmara Municipal.
A vereadora de Niterói Fernanda Louback (PL) pode se tornar vice-governadora do Rio de Janeiro após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de anular, nesta quinta-feira, 8, os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) no primeiro turno das eleições estaduais.
Ela integra a chapa do deputado estadual e policial civil Douglas Ruas (PL), que, com a nova contagem dos votos válidos, ultrapassa os 50% necessários para vencer a disputa sem segundo turno. Ruas deve ser declarado governador eleito nos próximos dias, superando Eduardo Paes (PSD), seu principal adversário na eleição.
Fernanda Louback exerce seu primeiro mandato como vereadora de Niterói, após ter sido eleita em 2024. Católica e identificada com o conservadorismo, ela defende pautas relacionadas à família, à segurança pública e aos direitos das pessoas com autismo. Já deu declarações polêmicas e esteve à frente de projetos
Antes de ocupar um cargo eletivo, Fernanda atuou na organização partidária como a primeira presidente do PL Mulher em Niterói. À frente do movimento, participou de iniciativas de filiação e mobilização de mulheres para a política.
A vereadora também se apresenta como mãe atípica e tem a defesa de políticas públicas voltadas às pessoas com autismo e suas famílias entre suas principais bandeiras.
Antes de ingressar na vida pública, Fernanda Louback venceu o concurso de miss Rio de Janeiro, competindo por Nova Friburgo, em 2003. Depois disso, trabalhou como empresária no setor de joias e semijoias. Ela foi proprietária de uma loja que levava seu nome na Rua Moreira César, em Icaraí, bairro de Niterói.
Segundo relato da própria vereadora, o estabelecimento enfrentou dificuldades financeiras depois de obras realizadas pela prefeitura em 2015, que teriam prejudicado o acesso de clientes ao comércio.
Louback atribui o fechamento da loja aos impactos dessas intervenções e afirma que a experiência contribuiu para sua decisão de entrar na política.
Controvérsias
Fernanda ganhou visibilidade no cenário político de Niterói ao adotar uma postura conservadora e combativa na Câmara Municipal.
O episódio de maior repercussão pública ocorreu durante o debate sobre a concessão do título de cidadã niteroiense à cantora Ludmilla. Na ocasião, a parlamentar opôs-se à homenagem alegando que a artista fazia apologia às drogas.
Durante a mesma sessão plenária, Louback afirmou que "parece que é crime no Brasil você ser branco" e fez comentários direcionados à aparência e à cor do cabelo da vereadora Benny Briolly, parlamentar do PSOL. A fala provocou forte indignação do plenário.
"Impressionante que hoje parece que é crime no Brasil você ser branco. Vocês me desculpem por ter nascido… Inclusive, o meu avô materno é negro, e o outro de família alemã. Uma mistura danada", disse.
Defensora da agenda conservadora, ela atuou contra pautas progressistas, como no projeto em que propôs vetar a implantação de banheiros neutros em espaços públicos, além de defender publicamente medidas rígidas de segurança e ordem pública, tais como a internação compulsória para pessoas em situação de rua com dependência química.