Presidente da FPA diz que não há outro caminho senão agro entrar na campanha de Flávio Bolsonaro

Pedro Lupion afirmou que bancada vai iniciar uma caravana em seis Estados para mobilização do setor produtivo em favor do candidato do PL

8 out 2026 - 16h08
Resumo
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion, declarou apoio formal a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial e afirmou que o agronegócio e o setor produtivo devem se engajar na campanha. Lupion justificou a decisão pela necessidade de alternância de poder, criticando a condução econômica, o crédito e a política externa do governo Lula. Fortalecida nas urnas, a bancada fará caravanas para mobilizar o setor e prevê retomar a antiga estrutura do Ministério da Agricultura.

BRASÍLIA - Após um primeiro turno no qual o agronegócio manteve a cautela quanto ao posicionamento nas eleições presidenciais, a tendência é que o setor embarque na candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação é do presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR).

Publicidade

"A cautela no primeiro turno foi um pouco da história do gato escaldado, que foi extremamente perseguido nos últimos quatro anos, e as entidades tomaram muito cuidado em relação a isso. Foi provada a necessidade da alternância de poder. O recado das urnas foi muito claro, então, não vejo outro caminho senão todo mundo entrar de cabeça nessa campanha", disse Lupion, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast.

Pedro Lupion preside a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA)
Pedro Lupion preside a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA)
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Além do agronegócio, Lupion citou o setor produtivo como um todo, como comércio, indústria, serviços e transportes. A bancada vai iniciar na próxima semana uma caravana em seis Estados para mobilização do setor produtivo com eventos com representantes estaduais, segundo Lupion.

A FPA declarou apoio a Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno e formalizou apoio oficialmente nesta terça-feira, 6, ao candidato em encontro da bancada com o senador carioca. Lupion atribuiu a adesão à polarização já registrada no primeiro turno, à conjuntura adversa que o setor enfrenta e à situação econômica do País.

"Temos enfrentado nos últimos quatro anos um governo que tem trabalhado diuturnamente contra o setor em todas as áreas, não apenas com uma questão de política agrícola muito falha e muito equivocada, mas também com resoluções, instruções normativas, decisões do governo, constantes contra o setor e ficamos durante quatro anos enfrentando todos os dias alguma batalha nova", justificou.

Publicidade

Entre os temas, Lupion criticou aumento de impostos, dificuldade de acesso ao crédito, cortes no orçamento do seguro rural, redução do crédito subsidiado no Plano Safra, burocracia nas medidas de repactuação das dívidas. Para Lupion, o "governo falta respeito com o produtor rural". "A fala do presidente de que o produtor rural tem que estar de joelhos a ele é completamente absurda, em que ele tenta impor uma condição de grande parceiro do agro, quando ele colocou o produtor de joelho por causa da sua incompetência econômica do atual governo", criticou. "Precisamos garantir o futuro da produção agropecuária do Brasil, e, para isso, a gente precisa mudar o Presidente da República e o governo", argumentou o líder da bancada.

Lupion não teme risco de isolamento do Executivo caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venha a ser reeleito. "Já fizemos oposição no governo inteiro. Enfrentamos o governo todos os dias", afirmou, citando a tentativa de taxação do IOF, tentativa de tributação de títulos agrícolas e questões fundiárias, bem como embargos ambientais.

Em relação à política externa, a qual exportadores afirmam ter receio a eventuais medidas de um possível governo Flávio Bolsonaro, Lupion afirma ver um perfil mais negociador no senador carioca que o adotado no governo do pai.

"Temos uma preocupação muito grande em relação aos mercados internacionais. A política externa do governo Lula tem sido muito falha nesse sentido, perdemos uma negociação grande com a China, na carne bovina, precisamos enfrentar as questões da União Europeia e ter uma nova maneira de negociação com os Estados Unidos", criticou. "Seja com a União Europeia, seja com a China, seja com os Estados Unidos, seja com o Oriente Médio, precisamos colocar o Brasil na mesa de volta e ser respeitado internacionalmente."

Publicidade

De acordo com Lupion, caso eleito, Flávio Bolsonaro deverá retomar a estrutura do Ministério da Agricultura vigente no governo de Jair Bolsonaro, quando as atribuições da pasta contemplavam agricultura familiar e desenvolvimento agrário. "Não existem dois sistemas agropecuários no Brasil, não existem duas agriculturas no Brasil, não existem dois tipos de agricultores no Brasil. Vamos fazer o Mapa virar Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e fortalecer", defendeu Lupion.

Apesar da sinalização de Flávio Bolsonaro de que, caso eleito, a indicação ao potencial ministro da Agricultura será feita pela FPA, Lupion afirma que o tema é "assunto para depois da eleição", quando a bancada tende a apresentar nomes e possibilidades para eventual governo.

No Congresso, a FPA saiu fortalecida das eleições com dois em cada três parlamentares reeleitos. A expectativa da bancada, segundo Lupion, é ter 330 deputados membros e cerca de 50 senadores a partir da próxima legislatura. Para o fim deste ano legislativo, a prioridade da bancada é articular ajustes na Medida Provisória da repactuação das dívidas rurais.

Para 2027, Lupion enxerga que a Reforma do Judiciário tende a ser uma das principais pautas do Congresso Nacional, refletindo a reação das urnas. "Acho que é um caminho sem volta. O grande tema das eleições foi o enfrentamento a esse ativismo judicial, à usurpação de competência e o enfrentamento à ingerência do Supremo Tribunal Federal em absolutamente tudo", disse.

Publicidade

Lupion reconheceu também que há conversas entre os parlamentares sobre o futuro do comando da Câmara dos Deputados e do Senado em meio ao fortalecimento da centro-direita nas eleições deste domingo, 4, que deve afetar a composição das casas. "Quem firmar os compromissos e cumprir os compromissos com a frente terá o nosso apoio", observou.

Sobre a sucessão da própria bancada, a qual deixa de presidir em fevereiro de 2027, o presidente disse que, em segundo momento, a frente buscará uma chapa de consenso a fim de obter uma "sucessão tranquila". O deputado federal Zé Vitor (PL-MG) é um dos principais cotados.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se