PGE alega falha técnica e diz que manifestação sobre Garotinho foi elaborada por membros do MP

TSE julga o pedido de Garotinho para desistir do recurso contra o indeferimento de sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro; 'Estadão' mostrou que o parecer da PGE a favor da desistência tem na condição de 'autor' o nome do advogado do próprio candidato

8 out 2026 - 11h29
Resumo
A PGE alegou falha técnica após metadados de seu parecer sobre Anthony Garotinho indicarem a autoria do advogado do candidato, garantindo que o texto foi feito pelo MP. O TSE julga o pedido de desistência de Garotinho ao governo do RJ, o que pode anular seus votos e liquidar a eleição no 1º turno a favor de Douglas Ruas. O ministro Nunes Marques alertou que a definição deve ocorrer hoje, pois alterações posteriores nas urnas exigiriam inviável reprogramação em todo o país.

BRASÍLIA - O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, afirmou nesta quinta-feira, 8, que a manifestação favorável à desistência de Anthony Garotinho (Republicanos) da corrida pelo governo do Rio de Janeiro foi "elaborada integral e exclusivamente por membros da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) sem qualquer participação, contribuição ou auxílio de terceiros".

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A declaração foi feita após o Estadão mostrar que o parecer de Espinosa tem na condição de "autor" do documento - em seus dados de origem - o nome do advogado do próprio candidato. A informação sobre a autoria do documento consta nos metadados do parecer anexado pelo procurador ao sistema da Justiça Eleitoral, às 14h06 da tarde da última terça-feira, 6.

O candidato Anthony Garotinho.
O candidato Anthony Garotinho.
Foto: Pedro Kirilos/Estadao / Estadão

Espinosa disse que a equipe técnica da PGE identificou uma falha no editor de textos utilizado pelo órgão. "Ao elaborar o relatório da minuta do parecer, ele transcreveu um trecho da petição do advogado, até para se manifestar, mesmo porque o recurso em análise era do Anthony Garotinho, e isso importou os metadados do PDF do advogado", afirmou.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga nesta quinta-feira o pedido de Garotinho para desistir do recurso contra o indeferimento de sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro. A decisão pode mudar o rumo da disputa estadual e até encerrar a eleição no primeiro turno.

Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) disputam o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Ruas liderou a votação, com 4.271.199 votos (49,27% dos válidos), contra 3.706.984 de Paes (42,76%). Garotinho teve 274.411 votos (3,17%), mas sua candidatura segue sub judice.

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Se os ministros homologarem a desistência, os votos de Garotinho serão definitivamente anulados e excluídos da base de cálculo dos votos válidos. Ruas passaria a ter mais da metade e seria declarado eleito em primeiro turno

Nunes Marques diz que só é possível migrar urnas para o 2º turno após decisões

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, disse que esta quinta-feira é o último dia para alterar os dados nas urnas sobre os candidatos que disputarão o segundo turno. A declaração foi feita no contexto de indefinição sobre a realização de segundo turno no Rio de Janeiro após o pedido de desistência de Garotinho.

"Uma vez iniciada a preparação das urnas, alterações posteriores nos candidatos ou na realização ou não de segundo turno, mesmo que circunscrita a uma determinada unidade da federação, implicarão na necessidade de reiniciar-se a preparação de urnas em todo o país", disse o ministro.

"Em resumo, não é possível se fazer uma recarga em apenas uma unidade da federação. Se houver alteração em uma unidade da federação, a recarga tem que ser feita em todas as urnas envolvendo todas as unidades da federação. Isso se mostra, logicamente, inviável", afirmou.

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