PF rastreou os R$ 468 mil de Sóstenes e chega à 'lavanderia' de irmãos e escritura de imóvel

1 jul 2026 - 17h22

Embalados em quatro pacotes de cédulas de R$ 100 etiquetados e acondicionados em um saco plástico e ocultos em um guarda-roupa, os R$ 468,7 mil apreendidos em dezembro em um imóvel do deputado e líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), seriam fruto de um esquema de desvio de recursos da cota parlamentar, e não exclusivamente da venda de um imóvel em Minas Gerais, como ele alegou à época da apreensão, segundo investigação da Polícia Federal.

O Estadão pediu manifestação de Sóstenes sobre a operação. O parlamentar informou que vai se pronunciar sobre a investigação quando tiver acesso aos autos, que já estão públicos. O espaço segue aberto.

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Nesta quarta-feira, 1º, a PF deflagrou a terceira fase da Operação Rent a Car, que mira advogados ligados a Sóstenes. A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar da Câmara por meio da locadora Harue Locação de Veículos Ltda, suspeita de emitir notas fiscais fictícias. A reportagem busca contato com a empresa.

A PF seguiu o caminho do dinheiro apreendido e identificou "uma complexa movimentação financeira entre empresas, com recebimento de verbas públicas e expressivos saques em espécie". Segundo a investigação, as etiquetas coladas nos pacotes de dinheiro encontrados no imóvel de Sóstenes, em Brasília, levaram os investigadores às empresas EJUS Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Foco Engenharia e Incorporações Ltda., além dos irmãos Jonas Keslley Gonçalves Umbelino e Jecy Kenne Gonçalves Umbelino.

As empresas e os irmãos foram alvo de busca e apreensão nesta manhã. A reportagem busca contato com a defesa dos citados.

De acordo com a PF, Jonas e Jecy aparecem vinculados, em análises de inteligência, a movimentações financeiras complexas, recebimento de recursos públicos, saques de grandes quantias em dinheiro e a uma estrutura societária compartilhada atrelada ao deputado.

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Quando foi alvo da Polícia Federal, em dezembro, Sóstenes afirmou que os R$ 468,7 mil apreendidos tinham origem na venda de um imóvel em Ituiutaba (MG), supostamente quitado em dinheiro.

A partir dessa versão, a PF produziu dois relatórios para verificar a capacidade financeira do alegado comprador, o advogado Thiago Ferreira de Paula, a compatibilidade econômica da transação e a eventual relação entre o negócio e o dinheiro apreendido. Thiago também foi alvo de buscas nesta manhã. O Estadão busca contato com sua defesa.

A linha de investigação sobre a venda do imóvel em Ituiutaba levou a PF a analisar a escritura pública do negócio, registrada em 30 de dezembro de 2025. O documento formalizou a venda do imóvel do deputado ao advogado pelo valor de R$ 500 mil.

Na escritura, as partes declararam que o pagamento havia sido feito em dinheiro, em 24 de novembro de 2025. Para a PF, porém, a cronologia da operação levantou suspeitas. Os investigadores destacam que a escritura foi lavrada apenas em 30 de dezembro, dias depois das buscas - realizadas em 19 de dezembro -, quando os R$ 468,7 mil em espécie foram apreendidos.

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A investigação também identificou indícios de incompatibilidade financeira envolvendo o comprador do imóvel. Segundo a PF, análises de inteligência apontaram que a movimentação de créditos de Thiago de Paula era cerca de 17,7 vezes superior à renda declarada, superando sua capacidade financeira em R$ 608 mil.

Para os investigadores da Operação Rent a Car, as apurações se concentram em dois eixos. O primeiro envolve o grupo empresarial formado pelos irmãos Jonas e Jecy e pelas empresas EJUS Empreendimentos Imobiliários, Foco Engenharia e Incorporações e J. Umbelino Participações. O segundo diz respeito à narrativa apresentada para justificar a origem do dinheiro apreendido, centrada na venda do imóvel a Thiago Ferreira.

"Em ambos os eixos, o que emerge é um quadro de relevante opacidade financeira e patrimonial", afirma a PF. Segundo os investigadores, há indícios de "interligação societária, recebimento de recursos públicos, saques expressivos em dinheiro vivo e inconsistências cronológicas e financeiras na negociação do imóvel", além da ausência de "comprovação bancária contemporânea para o pagamento declarado e de movimentações incompatíveis com a renda ostensiva do comprador".

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