PEC da Segurança será votada sem redução da maioridade, diz ministro

José Guimarães afirma que texto seguirá versão aprovada pela Câmara, sem incorporar emendas que tratam da mudança na idade penal

3 nov 2026 - 12h48
(atualizado às 13h00)
Na foto, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre
Na foto, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), afirmou nesta terça-feira, 3, que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública será submetida à votação no Senado sem incluir a discussão sobre a redução da maioridade penal.

Segundo o ministro, os senadores analisarão o texto aprovado pela Câmara dos Deputados, sem incorporar as emendas que propõem alterações na idade mínima para responsabilização criminal. "Tal como veio da Câmara dos Deputados", disse Guimarães à imprensa. 

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"Estamos conversando com o Camilo [Santana], nós não queremos nenhuma emenda, vamos separar", destacou. "Vamos separar e vota em outro momento. Nós queremos, precisamos dessa PEC hoje. Estamos aqui com três líderes para mostrar que o governo está unido, coeso nessa posição e a nossa líder de governo no Senado vai encaminhar essa posição que é a posição do governo", disse. 

A decisão foi definida após uma reunião entre líderes do governo na Câmara e no Senado, na qual foram discutidos os principais temas e a agenda legislativa. "É a que passou na CCJ e, portanto, o relator vai trabalhar para não acatar nenhuma emenda".

Guimarães explicou que as propostas relacionadas à maioridade penal poderão ser discutidas separadamente, em outra matéria. "Não significa que os temas das duas emendas que existem, eles não sejam tratados. Está posta essa discussão para o governo e para todos nós, mas não dá para misturar. A PEC da Segurança tem um objetivo fundamental", afirmou.

O ministro também ressaltou que a aprovação da proposta é necessária para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possa criar o Ministério da Segurança Pública, compromisso assumido durante a campanha eleitoral. Além disso, afirmou que o governo não se opõe à discussão sobre a redução da maioridade penal, mas defende que o tema seja tratado separadamente da PEC da Segurança.

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"Nós podemos perfeitamente ter uma PEC tramitando na Câmara, pode ser outra, junta. Portanto, esse é um momento importante para a gente votar a PEC da Segurança no Senado Federal", disse. "O Senado poderá dar esse presente ao país, votando a PEC que vai garantir a ação integrada do governo federal com governos estaduais para combater o crime organizado e as facções criminosas", acrescentou.

Líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE) já havia reafirmado que o Planalto não pretendia votar a redução da maioridade penal em conjunto com a PEC da Segurança. Segundo a senadora, o assunto já está em discussão em uma comissão especial da Câmara dos Deputados.

"A redução da maioridade penal não é objeto da PEC da Segurança. Considera-se o chamado 'jabuti'. É um tema que precisa ser enfrentado com profundidade e ouvindo amplos setores da sociedade", disse ela, segundo a Globo. No jargão político, a expressão "jabuti" é utilizada para definir a inclusão de um assunto sem relação direta com o tema principal de determinado projeto.

Como a discussão sobre a maioridade penal travou a votação?

A análise estava prevista para ocorrer antes do segundo turno das eleições presidenciais, mas acabou adiada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). A decisão ocorreu após um impasse entre governistas e oposição em torno de emendas que propõem mudanças na maioridade penal.

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A divergência ganhou força dez dias antes do segundo turno da eleição presidencial, vencida por Lula contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Na ocasião, a oposição apresentou uma emenda para reduzir a maioridade penal para até 14 anos, conforme a gravidade do crime cometido.

Em resposta, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), propôs uma alteração que permitiria a redução para 16 anos nos casos de crimes hediondos. A iniciativa, no entanto, provocou divergências dentro do próprio partido. Historicamente, o PT mantém posição contrária à redução da maioridade penal no Congresso Nacional.

A proposta de Camilo Santana, que buscava contrapor a iniciativa da oposição, acabou dividindo a bancada petista. Diante da falta de consenso entre os governistas e da disputa com a oposição, Alcolumbre decidiu retirar a PEC da pauta, já que nenhum dos dois lados contava com votos suficientes para aprovar suas respectivas emendas, o que levou à decisão de adiar a discussão.

A tramitação da proposta, entretanto, já avançou em outras etapas. Em 14 de outubro, antes do segundo turno, a PEC recebeu aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Na mesma data, o plenário aprovou um requerimento que permite acelerar a análise do texto, dispensando as cinco sessões de discussão exigidas antes da votação em primeiro turno e as outras três previstas para o segundo turno.

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O que Lula disse sobre a redução da maioridade penal?

A posição do presidente sobre o tema foi explicitada durante uma sabatina da TV Globo, realizada no mesmo dia em que a PEC foi retirada da pauta do Senado. Questionado sobre a proposta apresentada por Camilo Santana, Lula declarou ser favorável à redução da maioridade penal em casos de crimes hediondos.

"O meu pensamento, enquanto cidadão brasileiro, todo e qualquer crime hediondo, eu sou favorável a diminuir a pena. Para crimes hediondos. Eu sou a favor, sou a favor", afirmou o presidente.

Apesar de apoiar a mudança sugerida pelo senador petista, Lula defendeu que a discussão ocorra separadamente da PEC da Segurança Pública. "Primeiro você discute a PEC, aprova a PEC e aí você pode discutir a maioridade penal ou não", disse. A avaliação é semelhante à defendida por integrantes do governo, entre eles a líder governista no Senado, Teresa Leitão.

Quais são as principais mudanças previstas na PEC da Segurança?

A proposta prevê a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição Federal, com a finalidade de integrar a atuação das diferentes forças de segurança no enfrentamento à criminalidade organizada.

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O texto também estabelece que a União, os estados e o Distrito Federal poderão elaborar leis sobre segurança pública. Entre os temas abrangidos estão a formação de forças-tarefa entre diferentes governos, a organização das polícias e das guardas municipais e o funcionamento do sistema socioeducativo.

Outro eixo da PEC trata do endurecimento das medidas contra crimes violentos e organizações criminosas. Entre as mudanças previstas estão:

  • Regime de cumprimento de pena: previsão de prisão em estabelecimento penal de segurança máxima ou de natureza especial.
  • Restrições a benefícios: proibição ou limitação da progressão de regime, da concessão de liberdade provisória, com ou sem fiança, e da saída temporária.
  • Perda de bens: possibilidade de expropriação de bens, direitos e valores econômicos relacionados a atividades criminosas. A medida alcança organizações criminosas, grupos paramilitares e milícias privadas.

Além dessas medidas, a PEC estabelece mudanças na estrutura e nas atribuições das forças de segurança. Entre elas:

  • Polícias municipais: autorização para a criação de corporações municipais destinadas ao policiamento ostensivo e comunitário.
  • Atuação da PRF: ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que poderá atuar também no policiamento de hidrovias e ferrovias, além de prestar apoio a outras forças de segurança quando houver solicitação do governador.
  • Competência federal: manutenção da Polícia Federal e da PRF sob competência privativa da União, assim como das normas referentes às atividades de inteligência.
Fonte: Portal Terra
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