É enganoso que o Bolsa Família teve aumento maior que o salário mínimo. Postagens comparam a alta de 15% do benefício com os 6,8% do piso nacional, mas omitem que o programa estava sem reajuste há mais de três anos e usou apenas o INPC acumulado. Já o salário mínimo possui correção anual pela inflação somada ao crescimento do PIB, acumulando alta de 22,8% em três anos, superando o reajuste do benefício social.
O que estão compartilhando: postagem que questiona: "como um partido que se diz dos trabalhadores dá mais de 15% de aumento para quem não trabalha e apenas 6% para quem trabalha?"
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A publicação compara o reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado recentemente pelo governo Lula (PT), com o do salário mínimo, que foi elevado em 6,8% em janeiro.
A postagem omite que o programa de transferência de renda estava há mais de três anos sem ser reajustado, diferentemente do salário mínimo, que tem correção periódica garantida pela Constituição. Em três anos, a correção acumulada do piso nacional foi de 22,8%.
Saiba mais: a correção dos valores do Bolsa Família anunciada pelo governo federal em setembro é a primeira desde março de 2023, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O atual modelo do programa foi retomado naquele mês.
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A base para a atualização foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação acumulada do período.
Parte do salário mínimo é atualizada anualmente por esse índice, mas, desde 2024, é somada também a taxa de crescimento da economia brasileira de dois anos antes, sujeita ao limite máximo de 2,5%, como explicado pelo E-investidor.
Esse método foi estabelecido em uma lei sancionada pelo governo Lula em 2023, que definiu não apenas o valor do salário mínimo daquele ano como também a política de valorização permanente do piso a partir de janeiro de 2024.
Por essa regra, a correção foi de 7% em 2024; de 7,5% em 2025; e de 6,8% em 2026, somando 22,8% de reajuste acumulado em três anos, acima do que foi reajustado agora para o Bolsa Família, que usou apenas o INPC.
O valor mínimo do programa social passará, em outubro, de R$ 600 para R$ 691. Já o salário mínimo era de R$ 1.320 em 2023 e é de R$ 1.621 em 2026.