Na estreia na TV, Tarcísio ignora Flávio e Haddad ataca governo paulista

28 ago 2026 - 15h34
Resumo
A estreia do horário eleitoral para o governo paulista revelou estratégias opostas entre os candidatos. Tarcísio de Freitas apostou em um tom emotivo focado em sua atuação no desastre de São Sebastião, sem mencionar Flávio Bolsonaro. Em contraste, Fernando Haddad atacou duramente a gestão estadual, acusando-a de cortes e retrocessos, além de ressaltar suas realizações passadas e a aliança com o presidente Lula e outras lideranças nacionais.

A estreia do horário eleitoral gratuito na televisão nesta sexta-feira, 28, expôs estratégias distintas dos dois principais candidatos ao governo de São Paulo. Com 6 minutos e 20 segundos, Tarcísio de Freitas (Republicanos) apostou em uma narrativa emocional sobre sua atuação na tragédia de São Sebastião, em 2023, e não mencionou o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), a quem apoia. Fernando Haddad (PT), com 2 minutos e 39 segundos, fez críticas diretas à atual gestão e exibiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outros integrantes de sua aliança.

Dono de um tempo quase duas vezes e meia maior que o adversário, Tarcísio dedicou praticamente toda a primeira peça eleitoral a depoimentos de sobreviventes da tragédia da Vila Sahy, provocada pelas chuvas que atingiram o litoral norte paulista em fevereiro de 2023. Os relatos descreveram o soterramento de casas, a perda de familiares e o resgate de moradores.

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A campanha apresentou Tarcísio como um governador que agiu rapidamente, transferiu seu gabinete para a região atingida e permaneceu próximo das vítimas. "Aqui, a gente entendeu o que é se doar, a gente entendeu o que é servir", afirmou o candidato à reeleição. Ao longo das inserções, o incumbente apareceu com o colete da Defesa Civil e com roupas casuais.

Ao escolher um episódio ocorrido nos primeiros meses do mandato, a campanha buscou associar Tarcísio a atributos como coragem, sensibilidade e capacidade de decisão. O programa evitou o confronto direto com Haddad e também não apresentou Flávio Bolsonaro, apesar do apoio declarado do governador ao candidato do PL à Presidência. A ausência reforçou o caráter estadualizado e pessoal da peça.

Haddad adotou caminho oposto. Logo na abertura, o petista afirmou que o atual governador "tem apequenado São Paulo" e acusou a gestão de oferecer "mentiras" e "migalhas" à população. As críticas ocorreram após retiradas de vendas e críticas ao "preconceito partidário", como o PT se refere à alta rejeição da sigla no Estado.

Na sequência, a campanha atribuiu ao governo Tarcísio cortes de recursos em áreas consideradas essenciais, criticou as privatizações e afirmou que o Estado cresceu menos que o País. A peça também declarou que a atual gestão perdeu espaço para o crime organizado, mencionou o recorde de feminicídios e disse que São Paulo recuou na educação.

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Como contraponto, o programa apresentou realizações da trajetória de Haddad nos governos Lula e na Prefeitura de São Paulo. A propaganda citou a criação do ProUni, a expansão de universidades e institutos federais, a abertura de creches e o reconhecimento internacional recebido pelo petista quando comandou a capital paulista.

Na área econômica, a campanha associou Haddad à isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, à queda da inflação e do desemprego e à criação dos programas Desenrola e Pé-de-Meia durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda.

Além de Lula, apareceram no programa o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o candidato a vice-governador Márcio França (PSB) e as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). A presença do grupo deu à estreia de Haddad um caráter nacional e buscou exibir a amplitude política de sua chapa.

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