Augusto Cury defende taxação de big techs e diz que levaria Zuckerberg a tribunal internacional

Candidato do Avante critica uso excessivo das redes sociais, rejeita rótulos de direita ou esquerda e propõe análise jurídica de condenações do 8 de janeiro

28 ago 2026 - 14h04
(atualizado às 14h11)
Resumo
O presidenciável Augusto Cury (Avante) defendeu a alta tributação de big techs e a responsabilização judicial de executivos como Mark Zuckerberg pelos danos à saúde mental de jovens. Posicionando-se fora da polarização com uma "mente capitalista e coração social", Cury é contra banir redes, mas quer restrição para menores de 14 anos. Sobre o 8 de janeiro, planeja uma comissão jurídica para avaliar anistias, além de admitir o impeachment de ministros do STF caso cometam irregularidades.

O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) defendeu uma tributação elevada sobre as grandes empresas de tecnologia e afirmou que pretende responsabilizar judicialmente executivos do setor pelos impactos das plataformas digitais sobre a saúde mental de crianças e adolescentes. A declaração foi dada nesta sexta-feira, 28, durante sabatina promovida pelos veículos CBN, O Globo e Valor.

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O candidato citou nominalmente o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, ao defender que executivos de empresas de tecnologia sejam responsabilizados pelos efeitos considerados nocivos de seus produtos.

Augusto Cury voltou se colocar fora da disputa tradicional entre direita e esquerda
Augusto Cury voltou se colocar fora da disputa tradicional entre direita e esquerda
Foto: Divulgação / Estadão

Ele chegou a dizer que pretende levar Zuckerberg e outros líderes do setor a um tribunal internacional, sob a alegação de que as plataformas teriam contribuído para problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes.

Cury defendeu uma tributação elevada para as big techs. A comparação feita pelo candidato foi com a política de impostos aplicada a produtos que podem provocar dependência, como o cigarro. Segundo ele, quanto maior o potencial de dependência de uma plataforma, maior deveria ser a carga tributária sobre a empresa.

Ao mesmo tempo, Cury afirmou que as redes sociais também podem ser utilizadas como instrumentos de comunicação institucional. Ele citou o próprio governo e o Itamaraty como exemplos de órgãos que deveriam explorar essas plataformas para divulgar o Brasil no exterior.

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Cury também disse ser contrário à criação de mecanismos de controle sobre as plataformas e rejeitou a ideia de proibir aplicativos como o Discord. Para o candidato, a resposta aos problemas provocados pelo uso excessivo da tecnologia deveria passar principalmente pela responsabilização das empresas e pela educação das famílias.

Na avaliação do escritor e psiquiatra, o consumo excessivo de conteúdo digital pode contribuir para quadros de dependência, ansiedade e irritabilidade entre jovens. Ele classificou o problema como uma questão de saúde pública e defendeu que os pais estabeleçam períodos de afastamento dos celulares, especialmente aos fins de semana.

Cury também afirmou que crianças de até 14 anos não deveriam ter contato com redes sociais. Ao comentar casos de automutilação e tentativas de suicídio associados ao ambiente digital, disse que as empresas deveriam ser submetidas a multas de valores elevados quando houver comprovação de responsabilidade.

'Minha mente é capitalista, meu coração é social'

Cury também voltou a se colocar fora da disputa tradicional entre direita e esquerda. Durante a sabatina, o candidato criticou a polarização política e afirmou que boa parte dos problemas enfrentados pela população não pode ser classificada de acordo com posições ideológicas.

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Para sustentar a tese, ele citou temas como violência contra mulheres, autismo e a perda de autoridade dos professores como questões que, segundo ele, ultrapassam a divisão entre os campos políticos.

O candidato resumiu sua visão política ao afirmar que tem uma "mente capitalista" e um "coração social". Entre os valores que associa ao capitalismo, mencionou meritocracia, empreendedorismo, liberdade de expressão, um Estado mais enxuto e defesa da família.

Cury também afirmou que é possível reunir posições tradicionalmente identificadas com a direita e pautas sociais sem necessariamente se enquadrar em um dos dois polos. Ao abordar a liberdade de expressão, disse ainda que não considera correto atribuir à esquerda, de forma geral, uma defesa do controle das mídias.

Anistia aos condenados pelo 8 de janeiro

Sobre a possibilidade de anistiar os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, Cury afirmou que ainda não tem uma decisão definitiva. Caso seja eleito, disse que pretende formar uma comissão com juristas brasileiros e estrangeiros para avaliar os processos e verificar se houve eventuais irregularidades nos julgamentos.

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A proposta, segundo o candidato, seria uma forma de evitar que a questão fosse decidida a partir da polarização entre bolsonaristas e setores da esquerda. Cury afirmou que pretende analisar individualmente a condução dos processos antes de tomar uma posição sobre a concessão de anistia.

O candidato também defendeu a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso, em sua avaliação, magistrados cometam erros no exercício da função.

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