Na estreia na TV, Tarcísio aposta em São Sebastião, enquanto Haddad ataca gestão do adversário

Assim como no rádio, propaganda de Tarcísio não citou Flávio Bolsonaro, enquanto Haddad apareceu ao lado de Lula

28 ago 2026 - 14h24
Resumo
Na estreia do horário eleitoral na TV, os candidatos ao governo de SP adotaram táticas distintas. Tarcísio de Freitas usou a maior parte do seu tempo para destacar, de forma emotiva, sua atuação no socorro às vítimas da tragédia de São Sebastião, sem mencionar Flávio Bolsonaro. Já Fernando Haddad atacou a gestão atual, apontando problemas na segurança e na educação, além de exibir seu histórico administrativo e sua força política nacional ao lado de Lula e outros aliados.

Os principais candidatos ao governo de São Paulo apostaram em estratégias diferentes na estreia do horário eleitoral gratuito na televisão nesta sexta-feira, 28. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apostou em uma narrativa emocional sobre sua atuação na tragédia de São Sebastião, em 2023, e, assim como na propaganda política transmitida no rádio, não citou o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL), a quem apoia. Já Fernando Haddad (PT) criticou a gestão de seu adversário e fez aparições ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outros aliados.

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Dono de um tempo quase duas vezes e meia maior que o adversário, Tarcísio dedicou praticamente toda a primeira peça eleitoral a depoimentos de sobreviventes da tragédia da Vila Sahy, provocada pelas chuvas que atingiram o litoral norte paulista em fevereiro de 2023. Os relatos descreveram o soterramento de casas, a perda de familiares e o resgate de moradores.

Tarcísio de Freitas aposta em São Sebastião no primeiro programa eleitoral na TV; Fernando Haddad ataca gestão do adversário e exaltou passagem pelo Ministério da Fazenda
Tarcísio de Freitas aposta em São Sebastião no primeiro programa eleitoral na TV; Fernando Haddad ataca gestão do adversário e exaltou passagem pelo Ministério da Fazenda
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

A propaganda apresentou Tarcísio como um governador que agiu rapidamente, transferiu seu gabinete para a região atingida e permaneceu próximo das vítimas. "Aqui, a gente entendeu o que é se doar, a gente entendeu o que é servir", afirmou o candidato à reeleição. Durante o programa, ele apareceu com o colete da Defesa Civil e com roupas casuais.

Haddad adotou caminho oposto. Logo na abertura, o petista afirmou que o atual governador "tem apequenado São Paulo" e acusou a gestão de oferecer "mentiras" e "migalhas" à população. As críticas ocorreram após retiradas de vendas e críticas ao "preconceito partidário", como o PT se refere à alta rejeição da sigla no Estado.

Na sequência, a campanha atribuiu ao governo Tarcísio cortes de recursos em áreas consideradas essenciais, criticou as privatizações e afirmou que o Estado cresceu menos que o País. A peça também declarou que a atual gestão perdeu espaço para o crime organizado, mencionou o recorde de feminicídios e disse que São Paulo recuou na educação.

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Como contraponto, o programa apresentou realizações da trajetória de Haddad nos governos Lula e na Prefeitura de São Paulo. A propaganda citou a criação do Prouni, a expansão de universidades e institutos federais, a abertura de creches e o reconhecimento internacional recebido pelo petista quando comandou a capital paulista.

Na área econômica, a campanha associou Haddad à isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, à queda da inflação e do desemprego e à criação dos programas Desenrola e Pé-de-Meia.

Além de Lula, apareceram no programa o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o candidato a vice-governador Márcio França (PSB) e as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). A presença do grupo deu à estreia de Haddad um caráter nacional e buscou exibir a amplitude política de sua chapa.

No horário destinado aos candidatos ao Senado, os programas repetiram os motes das inserções no rádio. Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) buscaram se associar com Tarcísio de Freitas. Já Tebet e Marina focaram em suas trajetórias pessoais, deixando a relação com as chapas ao governo estadual e à Presidência em segundo plano. O programa de Tarcísio no rádio não citou Flávio Bolsonaro em nenhum momento.

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O horário eleitoral do primeiro turno será exibido quatro vezes por dia - duas vezes no rádio e duas na televisão - seis vezes por semana, de segunda-feira a sábado, até o dia 1º de outubro. Além do horário específico para a propaganda eleitoral, os candidatos passarão a exibir inserções comerciais durante a programação das emissoras. O tempo de propaganda a que cada coligação têm direito é definido com base nas bancadas da Câmara dos Deputados.

Os cargos que exibem propaganda vão sendo alterados a cada dia, em formato de rodízio, e os blocos rodam em grupos. A propaganda de governador roda junto com a de senador e deputado estadual. Já a de presidente será exibida pela primeira vez neste sábado, 29, em conjunto com a de deputado federal.

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