Motta demite fisioterapeuta e assistente social suspeitas de serem funcionárias fantasmas na Câmara

Exoneração ocorreu após caso ser noticiado na imprensa; procurada, assessoria de Motta informou que ele preza pelas obrigações legais; servidoras não se manifestaram

15 jul 2025 - 16h21
(atualizado às 19h40)

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), demitiu duas funcionárias do seu gabinete suspeitas de serem fantasmas. Ambas trabalhavam de forma remota, dispensavam ponto e conciliavam o trabalho na Casa legislativa com outras funções. A demissão foi decidida após a situação das servidoras ser noticiada pelo site Congresso em Foco e pelo jornal Folha de S.Paulo.

Gabriela Pagidis (salário R$ 11,4 mil bruto) e Monique Magno (salário R$ 1,7 mil bruto) estavam no gabinete de Motta desde 2024 e trabalhavam para ele enquanto exerciam outra função.

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Hugo Motta exonerou funcionárias um dia antes da publicação da reportagem.
Hugo Motta exonerou funcionárias um dia antes da publicação da reportagem.
Foto: Marina Ramos/Agência Câmara / Estadão

Pagidis, que trabalha na Câmara desde 2014, recebeu aproximadamente R$ 700 mil líquidos da Casa pelos seus mais de dez anos de trabalho na Casa. Já Magno recebeu quase R$ 200 mil líquidos pelo trabalho que desempenha desde 2019.

Procurada, a assessoria de Motta diz que ele "preza pelo cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários de seu gabinete, incluindo os que atuam de forma remota e são dispensados do ponto dentro das regras estabelecidas pela Câmara".

Pagidis é fisioterapeuta, trabalha na Câmara desde que passou na faculdade, em 2014, e é filha de uma ex-chefe de gabinete que trabalhou com Motta. Registro dela no Datasus mostra que, além das funções de ajuda à atividade parlamentar, Pagidis trabalha em uma clínica de fisioterapia na Asa Norte.

Já Magno, enquanto funcionária de Motta, trabalha como assistente social na prefeitura de João Pessoa, capital da Paraíba, onde recebe salário de R$ 2 mil bruto.

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Procurada, a Câmara diz que a legislação atual proíbe que servidor público ocupe oficialmente cargo gerencial ou administrativo em empresa enquanto exerce cargo público, mas é permitido atuar como sócio.

Um servidor pode ter uma outra função, desde que "a jornada de trabalho externa seja compatível com a jornada de 40 horas semanais prevista para os secretários parlamentares e cumprida de acordo com os dias e horários estabelecidos pelo gabinete".

A Folha de S. Paulo ainda citou ao caso da funcionária Louise Lacerca - estudante de medicina e filha do ex-vereador de Conceição (PB) Marcílio Lacerda - que trabalha com Motta e recebe R$ 2,8 mil bruto enquanto concilia os estudos.

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