Pesquisa AtlasIntel aponta queda de 8,5 pontos nas intenções de voto do presidente Lula entre evangélicos, somando 20,8%, enquanto Flávio Bolsonaro lidera o segmento com 62,7%. Entre católicos, Lula mantém a liderança estável com 49,8%, contra 40,4% do senador. O levantamento reflete os primeiros impactos de uma informação falsa sobre a padroeira do Brasil atribuída a Flávio, caso que desencadeou uma disputa de liminares envolvendo decisões dos ministros André Mendonça, Flávio Dino e Luiz Fux.
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu pontos no segmento evangélico, de acordo com pesquisa de intenção de votos da AtlasIntel. A amostra utilizada no estudo foi coletada entre os dias 23 e 28 de setembro por meio de recrutamento digital aleatório, na internet.
Neste recorte, o petista aparece com 20,8% da preferência do grupo religioso. Trata-se de uma queda de 8,5 pontos porcentuais na comparação com a última edição da mesma pesquisa, feita entre os dias 17 e 22 do mesmo mês.
Foram entrevistados 5,005 mil pessoas. A margem de erro é de um ponto percentual e o nível de confiança, de 95%.
Lula manteve-se estável entre os católicos, com 49,8% das intenções de voto. O resultado representa variação de menos de um ponto porcentual na comparação com a última pesquisa e está dentro da margem de erro.
O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, cresceu dois pontos no segmento evangélico e chegou a 62,7% das intenções de voto. Também manteve-se estável entre os católicos, com 40,4%.
Na última sexta-feira, 25, quando o levantamento já estava em curso, o ministro André Mendonça, vice presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a derrubada de publicações nas redes sociais que associavam o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro a um suposto projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
O resultado da pesquisa registra apenas parte do efeito desencadeado pela veiculação dessa informação falsa, que nasceu nas mídias digitais incensada por perfis de esquerda e ganhou corpo ao ser divulgada por políticos e militantes partidários. O próprio Lula a citou em entrevista ao programa Canal Livre, da Band.
O que se seguiu à decisão de Mendonça foi uma guerra de liminares. O ministro Flávio Dino suspendeu a medida, mesmo sem fazer parte do TSE, em uma manobra que suscitou críticas por violação de competência da Justiça Eleitoral e do princípio do juiz natural.
Luiz Fux anulou esta segunda decisão e restabeleceu o que Mendonça havia determinado.