Lula decide mudar substituto de Gleisi na articulação política diante de dificuldades no Congresso

José Guimarães, líder do governo na Câmara, é cotado para o cargo se desistir da disputa no Ceará

23 mar 2026 - 21h34

BRASÍLIA - Diante das inúmeras dificuldades na relação do governo com o Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu mudar o nome escolhido para substituir a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

Articuladora política do governo, Gleisi deixa o cargo na próxima semana para concorrer ao Senado pelo Paraná e havia dito que seu "sucessor natural" era Olavo Noleto, chefe do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável, o Conselhão.

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Lula afirmou a interlocutores, no entanto, que precisa de um nome com mais peso político para o posto neste ano eleitoral, que, ainda por cima, tem a caminho uma "delação do fim do mundo", como vem sendo chamada a tentativa de colaboração premiada de Daniel Vorcaro - dono do liquidado Banco Master.

Nos bastidores, o mais citado para a cadeira é o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

Guimarães quer concorrer ao Senado pelo Ceará, mas até agora não conseguiu a vaga na chapa do governador Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição. As dificuldades têm aumentado porque, para apoiar Elmano, o senador Cid Gomes (PSB) impôs como condição que o deputado Júnior Mano (PSB), seu aliado, seja candidato ao Senado.

A exigência rachou o PT, que procura uma saída para Guimarães e espera a intervenção de Lula. Júnior Mano é alvo de investigação da Polícia Federal, acusado de chefiar uma "rede estruturada de corrupção", envolvendo desvio de emendas parlamentares. O apoio do PSB no Ceará, porém, é considerado decisivo para Elmano vencer o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo do Ceará. Ciro e Cid são irmãos, mas estão rompidos.

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O presidente busca um articulador político que conheça bem as artimanhas do Congresso porque há vários problemas no horizonte para o Planalto. Embora Noleto tenha sido secretário executivo quando Alexandre Padilha, hoje titular da Saúde, era ministro de Relações Institucionais, Lula avaliou que precisa de um perfil com mais autoridade sobre deputados e senadores.

Ainda nesta segunda-feira, 23, por exemplo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça decidiu prorrogar a CPI do INSS, foco de tensão para o governo, e deu 48 horas para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ler o requerimento de instalação do colegiado. A decisão ainda passará pelo plenário do STF.

Além disso, Lula faz de tudo para aprovar neste semestre o fim da escala de trabalho 6X1, bandeira de sua campanha à reeleição. Na lista das prioridades também estão a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que ainda necessita passar pelo crivo do Senado, e a regulamentação do trabalho por aplicativo. Isso sem contar a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no STF.

Até hoje, Lula não enviou o nome de Messias para a análise do Senado por causa da resistência de Alcolumbre. Há, ainda, o temor do governo de que o Congresso derrube o veto de Lula ao projeto de lei que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro.

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