Lu Alckmin ensina o PT a usar vermelho na campanha em que marqueteiros querem 'desavermelhar' Lula

Vestido da segunda-dama da República na convenção que lançou candidatura do presidente a novo mandato é elogiado pela 'esquerda petista'

7 ago 2026 - 17h47

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está sendo "desavermelhada" para mostrar ao mercado e a eleitores independentes a importância da aliança do PT com a centro-direita na disputa pelo quarto mandato. Nos atos do partido sobressaem agora o verde e amarelo - para impedir que o bolsonarismo se aproprie das cores da bandeira do Brasil - e até mesmo o branco.

A estratégia dos marqueteiros já provoca críticas da "esquerda petista", mas, no meio do tiroteio, sobram elogios para Lu Alckmin, mulher do vice-presidente Geraldo Alckmin.

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Na convenção do PT que lançou a candidatura de Lula à reeleição, no último domingo, 2, dona Lu - como é conhecida Maria Lúcia Guimarães Ribeiro Alckmin - usou um vestido vermelho e se destacou no palco onde o presidente anunciou não querer mais reeditar o figurino de "Lulinha paz e amor".

Lu Alckmin, a única de vermelho no palco da convenção do PT: "Uni o meu gosto pessoal a uma causa nobre".
Lu Alckmin, a única de vermelho no palco da convenção do PT: "Uni o meu gosto pessoal a uma causa nobre".
Foto: Daniel Teixeira/Estadao / Estadão

"Em algumas culturas, o vermelho é a cor da alegria e celebração da positividade coletiva, exatamente o que eu gostaria de expressar naquele momento tão especial", disse dona Lu ao Estadão. "Uni o meu gosto pessoal a uma causa nobre".

Filiada ao PSB, mesmo partido de Alckmin, ela não combinou o look com a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, que vestia uma camiseta branca estampada com a foto de Lula quando era criança.

"O vermelho é uma das minhas cores favoritas", afirmou a segunda-dama da República. "Usar aquele vestido foi uma forma de expressar sintonia e parceria nessa caminhada coletiva, além de demonstrar que a união, a coragem, a justiça e a solidariedade são caminhos fundamentais para a construção do nosso país".

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Lu Alckmin sempre gostou de moda. No Palácio dos Bandeirantes, quando Alckmin era governador de São Paulo, ela era conhecida pela discrição e elegância. Nos anos 70, chegou a ser proprietária de boutique. Hoje, se dedica a um projeto de padarias artesanais, que promove inclusão social por meio do trabalho.

É ela também a responsável por quebrar a sobriedade dos trajes de Alckmin, escolhendo meias divertidas para o marido usar, com cores vibrantes e desenhos de jacaré, xícaras de café, bolinhas e listras estilizadas.

"A Lu é modernosa", resume Alckmin. "Geraldo é todo sério. Então, pelo menos a meia é diferente", justifica ela.

Na prática, embora na convenção do PT o discurso de Lula tenha sido "à esquerda", para agradar à plateia, há uma queda de braço nas fileiras do partido sobre os rumos de um possível quarto mandato do presidente.

Bancada petista quer reestatizar sistema Petrobras, mas Lula veta proposta no programa de governo

Na seara econômica, por exemplo, a bancada do PT propõe a reestatização do sistema Petrobras. A ideia é autorizar a União a criar uma estatal, ou subsidiária de empresa pública já existente, para atuar na distribuição de combustíveis e GLP.

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Além disso, uma ala expressiva do PT também defende o afrouxamento do arcabouço fiscal para permitir investimentos sociais. A ordem do Palácio do Planalto, porém, é para enterrar essa abordagem na campanha.

Lula já vetou propostas consideradas mais radicais no programa de governo e avisou que não dará um cavalo de pau a economia. Embora as 13 diretrizes de sua plataforma sejam genéricas, o presidente vai acenar para o mercado, mantendo os compromissos com o ajuste fiscal.

"Como tem muita gente operando no sentido oposto - ou seja, a favor de um quarto mandato que se inicie com um ajuste fiscal similar ao de 2015 -, nos cabe fazer pressão", destacou o historiador Valter Pomar, integrante da direção nacional do PT. "Assim como nos cabe fazer pressão para uma campanha bem vermelha, inclusive pelos motivos que o próprio Lula citou, quando lembrou o que fizemos em 1989", prosseguiu o dirigente da corrente "Articulação de Esquerda", ao comentar o discurso do presidente na convenção do PT.

Foi aí que Pomar elogiou Lu Alckmin. "Quem ainda tem dúvida a respeito das vantagens deste tipo de campanha, recomendamos - quem diria - consultar Dona Lu", escreveu ele no artigo intitulado "Uma dama de vermelho". "Por essa, nem Chris de Burgh esperaria", emendou o dirigente do PT, numa referência ao autor da música The Lady in Red, sucesso mundial.

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A segunda-dama da República soube do "conselho" de Pomar. Reação: apenas sorriu.

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