Gilberto Kassab (PSD), candidato a vice na chapa presidencial encabeçada por Ronaldo Caiado (PSD) afirmou, nesta segunda-feira, 17, que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) está "preocupada" com o ex-governador goiano.
"Eles não estão preocupados com o (Romeu) Zema ou com o Renan (Santos). É jogo político, jogo da campanha. Mostra que estão preocupados com o Caiado, um candidato que vai crescer e muito bem preparado", disse Kassab em evento do Grupo Voto.
Para Kassab, o fato de partidos do chamado "Centrão" não terem embarcado no apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência foi positivo para a candidatura do seu partido, liderada pelo ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. Segundo Kassab, o PSD não pertence ao Centrão porque resolveu lançar Caiado à presidência.
"À medida que o Flávio contava com o Centrão e agora não conta mais, ele perdeu o tempo de televisão. Se ele perdeu o tempo de televisão, esse tempo veio para o Caiado, uma grande parte. Então, foi bom para o Caiado", disse Kassab em conversa com a imprensa após participar de evento organizado pelo Grupo Voto, na capital paulista.
Kassab também reforçou que vê como "chance zero" de Flávio Bolsonaro ganhar as eleições. "O PSD lançou o candidato porque acha que é a melhor alternativa para o Brasil para evitar o PT ou o PL, o Bolsonaro ou o Lula. Aqueles que não querem o Lula, são 50% da população brasileira", salientou.
Caiado também procurou afastar qualquer interpretação de que sua candidatura funcionaria como apoio indireto ao petista. Durante seu primeiro ato de campanha, realizado no domingo, 16, em Goiás, o ex-governador classificou como equivocada a leitura feita pela equipe de Flávio e reforçou que sua candidatura pretende disputar diretamente o segundo turno.
O candidato do PSD também elevou o tom contra o adversário. Ao comentar as críticas recebidas, afirmou que a campanha de Flávio estaria "desesperada" diante dos problemas enfrentados pelo senador e citou episódios recentes que envolvem o nome do candidato do PL.
Caiado ainda declarou que Kassab apenas verbalizou uma percepção que, na avaliação dele, já era conhecida no cenário político. Questionado sobre quem apoiaria em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, porém, evitou trabalhar com essa hipótese e afirmou que pretende ser o adversário do petista na segunda etapa da eleição.
Reações da campanha de Flávio Bolsonaro
A campanha de Flávio havia acusado, nos últimos dias, Caiado (PSD) de favorecer Lula após Kassab (PSD) afirmar que o senador tem "chance zero" de vencer as eleições.
A declaração provocou reação imediata dentro da campanha de Flávio. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da candidatura, acusou o PSD de atuar como uma espécie de apoio indireto ao PT. Nas redes sociais, afirmou que a candidatura de Caiado não seria competitiva e que grupos políticos estariam se articulando para impedir o avanço de Flávio.
O próprio Flávio entrou na discussão sem citar diretamente Caiado. O senador afirmou que esperava enfrentar candidatos de direita unidos contra o PT e disse que sua candidatura não teria como objetivo apenas conquistar o poder, mas, segundo ele, "resgatar o Brasil do cativeiro".
Disputa pelo eleitorado de direita
O embate expõe a disputa pelo mesmo campo político às vésperas do início efetivo da campanha. Caiado vem tentando se apresentar como uma alternativa de direita com experiência administrativa, enquanto Flávio carrega o peso político do sobrenome Bolsonaro e busca consolidar-se como principal nome do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
No começo do ano, Caiado já havia procurado estabelecer diferenças em relação ao senador, sobretudo ao questionar sua experiência no Executivo. O governador também manteve críticas ao posicionamento de Flávio em episódios relacionados às instituições e às eleições.