Lula: País que tem petróleo desta qualidade não vai permitir que ninguém meta o dedo

Presidente desafia Trump em discurso: "Se Trump quiser fechar o Estreito de Hormuz, nós temos aqui petróleo da Margem Equatorial"

17 ago 2026 - 18h13
(atualizado às 19h31)

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou nesta segunda-feira, 17, a qualidade do petróleo descoberto na bacia da Foz do Amazonas e lançou um desafio ao colega dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem vive em rota de colisão. Em tom de campanha, Lula disse que, se Trump quiser fechar o Estreito de Hormuz por causa de conflitos com o Irã, o Brasil terá petróleo para oferecer.

"País que tem petróleo desta qualidade não vai permitir que ninguém meta o dedo", afirmou o presidente, ao definir o óleo identificado pela Petrobras na Margem Equatorial como "chique". A frase foi mais um recado a Trump em um discurso recheado de referências à soberania, bandeira da campanha petista.

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Lula visitou o navio-sonda da Petrobras acompanhado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com quem se reconciliou na semana passada, dos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Miriam Belchior (Casa Civil) e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

A cerimônia ocorreu três dias após a Petrobras anunciar que havia identificado hidrocarbonetos em águas profundas da Margem Equatorial, que vai do litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte. Nesta segunda-feira, 17, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou a descoberta de petróleo. "A gente ainda não sabe quanto, mas estamos extremamente otimistas com o que estamos encontrando aqui", observou.

Lula diz que petróleo encontrado na Margem Equatorial é "chique" e classifica a descobrta como "passaporte para o futuro".
Lula diz que petróleo encontrado na Margem Equatorial é "chique" e classifica a descobrta como "passaporte para o futuro".
Foto: Reprodução via Youtube / Estadão

A tônica eleitoral marcou a cerimônia na qual Lula vestiu o macacão laranja da Petrobras. Como mostrou o Estadão, a descoberta do novo petróleo será usada na propaganda de Lula como mais conquista do governo.

"O Brasil está preparado para fazer muito mais", disse o presidente na cerimônia, em frase alusiva ao slogan "O Brasil pronto pra mais", mote de sua campanha ao quarto mandato.

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A referência a Trump no discurso não foi à toa. O presidente dos Estados Unidos é um importante aliado da família Bolsonaro e, na avaliação do Palácio do Planalto, tem feito articulações para tentar interferir nas eleições de outubro. Na prática, desde o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, Lula tenta mostrar os prejuízos causados ao País após as movimentações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário.

"Se Trump quiser fechar o Estreito de Hormuz, nós temos aqui petróleo da Margem equatorial", disse o presidente nesta segunda-feira, 17. A declaração de Lula, no entanto, usa como promessa a venda de um petróleo que acabou de ser descoberto e ainda não teve sua exploração iniciada.

Vestido com o macacão laranja da Petrobras, Lula lembrou da descoberta do pré-sal, em 2007, e afirmou que sentia a mesma emoção daquela época. O presidente chegou mesmo a repetir um gesto feito em setembro de 2008 e sujou novamente as mãos de petróleo. À época, ele carimbou as costas da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, indicando que ela seria a sua sucessora.

Nesta segunda-feira, Lula voltou a criticar o processo de privatizações de empresas estatais no setor de combustíveis. "Eu ainda sonho em comprar de volta a refinaria que eles privatizaram. Eu queria que alguém me explicasse o que o povo brasileiro ganhou com a privatização da BR, com a refinaria da Bahia, com a refinaria do Amazonas", questionou.

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Lula tem criticado com frequência a posição do governo de Jair Bolsonaro pela privatização da BR Distribuidora, antiga subsidiária da Petrobras, que atuava na distribuição de combustível. Após a privatização, a empresa foi renomeada como Vibra Energia. O presidente Lula visitou nesta segunda-feira, 17, o navio-sonda da Petrobras na Margem Equatorial.

Por contrato, até 2029, a Petrobras não pode concorrer com a Vibra (ex-BR Distribuidora). Embora ocorram críticas à privatização, o governo tem reiterado o respeito à cláusula contratual. Em março, o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, reconheceu a possibilidade de retorno da atuação estatal no setor de distribuição de combustíveis. As discussões seriam preliminares.

"O cara que vendeu deveria ganhar o prêmio Nobel da estupidez. Ao invés de ser bom gestor, fazendo as coisas funcionarem, ele tenta fazer as coisas funcionarem vendendo. Ou seja, na verdade, ele é um bom comerciante, não é um bom gestor. Ele demonstra incompetência e não dá resultado naquilo que ele tem que dar", declarou Lula.

O presidente da República relatou que a Petrobras não consegue "sobreviver" se não houver investimento em pesquisa. Lula comentou ainda que teriam muitas pessoas no Brasil com "complexo de vira-lata" ao falar de soberania nacional, inclusive no setor de petróleo. Ele também ponderou que o Estado tem que aproveitar o poder de compra para incentivar a produção nacional.

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