BRASÍLIA — O senador Rogério Marinho afirmou que o presidente da Argentina, Javier Milei, deve comparecer e discursar no evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
"Sim, ele (Milei) vai falar também. Estamos discutindo com o pessoal dele, ele tem um grupo, um cerimonial, um embaixador", declarou Marinho, que coordena a pré-campanha de Flávio.
A convenção nacional do PL ocorrerá no sábado, em São Paulo, e vai oficializar também os candidatos a deputado estadual, deputado federal e senador do partido. Como a sigla apoia o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), não haverá candidato ao governo estadual.
Milei também terá um encontro com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas(Republicanos), no mesmo dia. A iniciativa do encontro partiu do próprio governo argentino, mas a Embaixada da Argentina não havia se posicionado sobre o assunto até a publicação deste texto.
O Estadão perguntou à embaixada e ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil se há previsão de reunião de Milei com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Pasta informou que não houve qualquer comunicação oficial ao governo brasileiro sobre a visita.
Ao anunciar a vinda ao Brasil, Milei não fez menção a um encontro com Lula. Disse, por outro lado, que pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na sexta-feira, 17, a defesa do ex-presidente pediu autorização a Alexandre de Moraes para receber Milei e sua delegação na prisão domiciliar humanitária, mas o pedido foi negado.
A declaração de Marinho desta terça-feira foi feito à imprensa após uma reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e Flávio, na sede do partido, em Brasília. Uma das pautas do encontro foi a montagem de chapas nos Estados e possíveis alianças para a chapa presidencial, que corre o risco de não angariar outras legendas.
A cúpula do PL já prevê que a convenção de sábado seja realizada sem o anúncio de uma vice na chapa de Flávio. As lideranças vêm dizendo que têm até o dia 5 de agosto, prazo do período de convenções, para tomar a decisão.
Entre os nomes cotados para o posto, todos de mulheres, estão a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos) e as deputadas federais Simone Marquetto (PP-SP), Clarissa Tércio (PP-PE) e Júlia Zanatta (PL-SC). A senadora Tereza Cristina (PP-MS) era a preferida de Valdemar, mas a negociação não tem andado. Os dois se encontraram nesta manhã, quando a senadora disse que seus planos são continuar no Senado.
"Não (teve avanço no acordo para vice do Flávio). Ela (Tereza Cristina) me disse hoje que ela vai disputar a Presidência do Senado (em 2027) e que esse é o objetivo dela", declarou Valdemar numa entrevista à CNN Brasil.
O PL tenta trazer para sua aliança partidos como União Brasil e PP, hoje federados, e Republicanos, que podem conferir à campanha de Flávio maior tempo de propaganda na TV e no rádio. Na mesma entrevista nesta terça-feira, Valdemar tratou do assunto:
"Acredito (em aliança com o PP), lógico. Nós temos várias coligações com o PP, União Brasil nos Estados, com Republicanos. Estamos conversando com o Podemos. O pessoal de Minas está conversando com o PSDB. O Flávio não estava preparado para ser candidato, então ele não tinha feito uma estrutura, um trabalho antes para ser presidente da República. Agora que nós estamos conseguindo andar nesse assunto", afirmou Valdemar mais cedo.
Em 2022, o PL de Jair Bolsonaro conseguiu o apoio do Republicanos e do PP para sua tentativa de reeleição no Palácio do Planalto, quatro anos depois de ter concorrido isolado, num partido nanico, o PSL. A sigla, fortalecida pela bancada de mais de 50 deputados eleitos na onda Bolsonaro, se fundiu ao DEM anos depois para virar o atual União Brasil, hoje federado ao PP.