O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, rebateu nesta sexta-feira, 10, as críticas feitas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) às pré-candidaturas as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ao Senado.
"Acho que todo mundo que ouviu ficou um pouco perplexo, né, com uma agressão gratuita a duas mulheres, ex-senadoras, que têm serviços prestados", disse o ex-ministro em coletiva de imprensa, antes de participar da sabatina "No Osso", realizada pelo grupo apartidário Derrubando Muros.
Na quarta-feira, 8, Tarcísio afirmou que Marina e Tebet receberam o "cartão vermelho" de seus respectivos Estados, Acre e Mato Grosso do Sul, e que não seriam eleitas caso disputassem novamente por essas unidades da Federação. Elas são pré-candidatas à Casa Alta na chapa de Haddad.
"Com todo o respeito às duas candidatas ao Senado dos outros partidos, elas não começaram a fazer política em São Paulo, não elegeram este Estado para servir", declarou em vídeo publicado nas redes sociais. A crítica, porém, foi feita apesar de o próprio governador não ser natural de São Paulo.
Marina nasceu no Acre, mas exerce mandato de deputada federal por São Paulo desde 2023. Tebet, por sua vez, representou Mato Grosso do Sul no Senado entre 2015 e 2022 e deve disputar pela primeira vez um cargo eletivo em São Paulo. Em 2026, ela oficializou a transferência de seu domicílio eleitoral para a capital paulista.
As ex-ministras do Meio Ambiente e do Planejamento também reagiram às falas de Tarcísio. "É claramente uma pessoa que tem dois pesos e duas medidas. Ele acha que para ele vir fazer política aqui é natural, e para mim e a Simone, não. E eu acho que tem também uma atitude de preconceito contra as mulheres, de se acharem os donos do mundo", disse Marina em entrevista ao G1 Campinas.
Em entrevista à CNN Brasil, 8, Tebet rebateu Tarcísio ao afirmar que é corintiana, paga impostos em São Paulo há dez anos e não precisou recorrer ao endereço de terceiros para se candidatar no Estado. A declaração fez referência ao governador, que nasceu no Rio de Janeiro, torce para o Flamengo e transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo em 2022, ano em que foi eleito.
Petista diz que adversário não queria ser governador
Na sabatina, Haddad afirmou que São Paulo vem perdendo a capacidade de planejamento porque os últimos governadores eleitos estavam preocupados em ser eleitos presidente da República.
"Tanto Doria quanto Tarcísio não queriam ser governadores, na minha opinião. Estavam de passagem pensando em voos mais altos. Tudo bem ambicionar outras coisas, mas o que eu vi foi uma falta de foco no Estado", disse o petista.
Doria, então no PSDB, deixou o cargo de governador no início de 2022 para ser candidato ao Palácio do Planalto, mas não conseguiu se viabilizar. Embora sempre tenha repetido que seu foco era São Paulo, Tarcísio foi cotado para ser o herdeiro político de Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial deste ano contra Lula. O ex-presidente, contudo, escolheu o filho, Flávio Bolsonaro (PL), como seu sucessor.