O ministro Gilmar Mendes criticou André Mendonça por retirar o sigilo de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o procurador-geral Paulo Gonet, acusando o colega de buscar palanque político com o caso Master. Mendes defendeu a lisura de Gonet, chamando a exposição de leviana. O procurador-geral nega irregularidades e proximidade com Vorcaro, afirmando que nunca interferiu em apurações. O Conselho Superior do MPF analisará o episódio no dia 25, podendo abrir investigação ou arquivar o caso.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes levou às redes o embate com o colega de Corte André Mendonça na manhã desta quinta-feira, 17. Em postagem no X, defendeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e afirmou que ele "teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam".
"Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor?", questionou o decano, afirmando que, ao publicar vídeo nas redes, agradecendo apoio popular, Mendonça teria escancarado "a intenção de lucrar politicamente com o episódio".
Gilmar considera que o momento dos vazamentos não foi por acaso. "O levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método". "Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral", voltou a acusar.
A críticas nas redes espelham o embate entre Gilmar e Mendonça. Durante a sessão extraordinária do STF da última terça-feira, 15, Gilmar saiu em defesa de Gonet e afirmou que Mendonça age com "sentimento policialesco". "É impressionante que uma pessoa da estatura de Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso sim é leviandade", disse Gilmar, que usou, também dessa vez, o xingamento "pixuleco eleitoral". O comentário deu início a um bate-boca no plenário.
O Estadão revelou em 1º de setembro o teor de conversas mantidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro que mencionavam Paulo Gonet. Também foram expostos diálogos por mensagem e telefonemas entre o procurador-geral e o banqueiro.Vorcaro conversou por telefone e trocou mensagens com Gonet em contatos intermediados pelo advogado Ciro Soares, que era emissário nas conversas entre eles.
Nos diálogos, Gonet diz que sente saudades e chama o dono do banco Master de "máquina" após aceitar convite para degustação de uísque em Londres e de pedir que o filho fosse convidado ao evento.
Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 17, 2026
Na sessão de terça-feira, Gonet negou a relação com o banqueiro e disse que "a única ligação, intermediada por advogada, foi brevíssima e banal".
O procurador-geral voltou a falar no assunto no dia 16, em uma manifestação perante o Conselho Superior do Ministério Público Federal, Na ocasião, afirmou que jamais negligenciou as investigações sobre fraudes no Master envolvendo Vorcaro e que ninguém lhe pediu para livrar o banqueiro. "Se o sr. Vorcaro imaginou, no seu desespero, que alguém poderia obter a minha adesão para algum comportamento indigno, os fatos mostram que estava enganado."
Em mensagem supostamente enviada ao ministro Alexandre de Moraes, Vorcaro teria apelado a Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, para colocar freios na Operação Compliance Zero. "Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?", pediu o banqueiro.
No próximo dia 25, o Conselho se reúne para apreciar o caso. De um lado, os conselheiros poderão concluir pela existência de indícios de crime e designarem um subprocurador-geral da República para investigar Gonet. De outro lado, poderão concluir que não existem evidências de crime comum e promover o arquivamento do feito.