BRASÍLIA E SÃO PAULO - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, disse neste domingo, 1.º, que, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai dele e preso na Papudinha pela trama golpista, subirá a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2027 caso ele vença a disputa em outubro deste ano.
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"Quero compartilhar com vocês o que disse para o meu pai agora quarta-feira", disse Flávio ao público na Avenida Paulista, em São Paulo. "Eu falei 'pai, em janeiro de 2027, você vai pessoalmente subir aquela rampa do Planalto junto com o povo brasileiro'", disse.
Designado pelo pai como candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro foi a estrela do evento deste domingo. Foi a primeira aparição em evento público desde esse anúncio, em dezembro. Ele chegou ao local com segurança reforçada e usou um colete à prova de balas. O senador terminou o pronunciamento de 15 minutos relembrando o "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", lema do pai.
No discurso, Flávio ainda fez ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez aceno ao público feminino, elogiou o Bolsa Família, defendeu o pai e o desejo de avançar com o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2027, com um novo Parlamento eleito.
O foco nos mais pobres e no eleitorado feminino visa sanar um problema detectado em pesquisas eleitorais recentes, que apontam que esses dois segmentos têm maior resistência ao seu pleito ao Palácio do Planalto.
"Quero deixar uma coisa muito clara: todos nós somos favoráveis a impeachment de qualquer ministro do Supremo que descumpra a lei. Isso só não acontece hoje porque ainda não temos maioria no Senado Federal. Mas o povo brasileiro vai ter a oportunidade neste ano de escolher candidatos que comprometam com o resgate da nossa democracia", afirmou Flávio.
Pouco antes disso, o senador disse que batalhará pela derrubada do veto aos presos do 8 de Janeiro, que, para ele, deverá soltar "muitos ou praticamente" todos os envolvidos nos atos golpistas. O pré-candidato ao Planalto mencionou uma exceção para exaltar o pai.
"Muitas ou praticamente todas as pessoas do 8 de Janeiro vão poder ir para suas casas, menos uma pessoa chamada Jair Messias Bolsonaro, que independentemente de a gente derrubar esse veto, vai continuar onde está. Um ex-presidente da República mais uma vez se sacrificando pelo seu País e pelas outras pessoas inocentes, mesmo sabendo que essa lei não o beneficiaria, ele falou para nós deputados e senadores 'façam, porque pelo menos as outras pessoas vão poder ir para casa, e eu banco, eu fico, eu aguento'", afirmou.
Aprovado na Câmara e vetado por Lula, o PL da Dosimetria pode reduzir a pena de Bolsonaro. O veto ainda não foi analisado pelo Congresso.
Ao destinar minutos para fazer acenos ao eleitorado feminino e mais pobre, Flávio disse que foi na gestão do pai que o Bolsa Família foi ampliado para R$ 600 e que Bolsonaro sancionou mais de 40 leis relativas à defesa da mulher. A prerrogativa de fazer leis sobre o tema é do Congresso Nacional.
"Sou pai de duas princesinhas que são a razão do meu viver, e eu imagino a dor dessas famílias, que tem uma mulher agredida ou assassinada por um covarde, e a gente não vai mais tolerar isso nesse País", disse.
Flávio também aproveitou o espaço para elogiar os trabalhos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que também é pré-candidato à Presidência.
"Caiado é muita honra estar no mesmo palanque, defendendo os mesmos ideais de uma pessoa com sua história. E isso prova que não é ato eleitoral. Tem aqui dois pré-candidatos juntos, não estamos disputando voto. Estamos aqui pensando no que é melhor para o nosso País", disse o senador. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), discursou no evento, mas já havia deixado o local no momento da fala do senador.
Mais do que o próprio Supremo, Flávio centrou críticas em Lula, que deverá ser o seu principal adversário em outubro. Como filho de Bolsonaro, ele fez ataques a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do atual presidente.
"Eu aprendi honestidade em casa, eu sou filho de Bolsonaro, não sou filho do Lula, porque se fosse filho do Lula, eu agora ia estar sendo acusado de receber mensalão de R$ 300 mil de roubo dos aposentados do INSS", afirmou. "Você que é aposentado, sabe onde está esse dinheiro que está faltando agora para você comprar um arroz, um feijão, uma carne, um presente para sua neta? O seu dinheiro pode estar na conta do filho do Lula lá na Suíça. É por isso que ninguém aguenta mais quatro anos de PT e nós, o povo, vamos tirar essa corja de Brasília."
Investigação da Polícia Federal aponta que o empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, fez pagamentos para Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. A PF diz que, no total, uma consultoria do Careca do INSS transferiu R$ 1,5 milhão para a empresa de Roberta, em sucessivos pagamentos de R$ 300 mil. Ela foi alvo de busca e apreensão e de tornozeleira eletrônica.
A oposição usa os desdobramentos do caso Master contra o STF e o governo federal. As fraudes do banco liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central vêm proporcionando desdobramentos que acertaram cheio a mais alta Corte do País. O Estadão mostrou a ligação de um empreendimento de familiares de Dias Toffoli com fundos ligados ao Master, enquanto o jornal O Globo revelou um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci.